Sendo sincera: eu não esperava muito de As Trapaceiras, mas me habilitei a assistir por causa da Anne Hathaway, tenho um carinho grande por ela, eu assistia O diabo Veste Prada diariamente na minha infância e não superei isso, então se ela estiver em um filme, eu vou, mesmo se não botar fé na história, o que aconteceu nesse caso e olha… até que me diverti!
Bem, As Trapaceiras conta a história de uma britânica sedutora e charmosa que une forças com uma australiana esperta e divertida para enganar um jovem e ingênuo bilionário do ramo da tecnologia no sul da França.
Foi engraçado, mas não é uma obra-prima da comédia
O filme é uma comédia boa, ri em várias partes e me diverti bastante, então nesse aspecto ele cumpre o que promete. Deixa a desejar em algumas piadas? Sim. Algumas são fora de hora ou bem sem graças, mas parte do humor está muito atrelado às personagens e seus arquétipos, por isso falei de atuação lá em cima.

A Rebel Wilson está ótima, só um tanto forçada, não vou dizer que ela interpreta a si mesmo, porque prefiro acreditar que ela não use o corpo como alívio cômico no dia a dia, mas no filme boa parte de todo o humor envolvendo ela tem relação ao quanto ela é atrapalhada por ser gorda, o que às vezes soa idiota e constrangedor, mas se você desligar o botão problematizador pode rir.
Já a Anne Hathaway é o oposto da personagem da Rebel, ela interpreta uma mulher rica, estilosa e um tanto egocêntrica. Apesar de no portfólio de filmes que a Anne já fez não existir tantas personagens egocêntricas, é perceptível que ela se inspirou em personagens que contracenaram com os dela em outras obras. Achei a Josephine Chesterfield muito inspirada na Miranda Priestly e Emily Charlton de O Diabo Veste Prada.
Essa coisa de interpretar personagem “repetido” é recorrente no cinema, tive essa impressão com a Blake Lively em Um Pequeno Favor e com a Sarah Paulson em Oito Mulheres e Um Segredo, o que não estraga o filme, só me dá a impressão de que o personagem talvez não tenha sido escrito com tanta criatividade.
Vale a pena ou não?
Foquei muito na atuação para fazer essa crítica, porque a história em si não é lá essas coisas, ele é mais inovador sim que as comédias recentes, mas termina de um jeito meio bobo, mas se você está em dúvida se vale a pena ou não: acho que vale sim, me rendeu boas risadas e sai da sala do cinema mais leve.