Eu acho que um dos meus maiores pecados é não ouvir tantos artistas nacionais. Creio que é pelo pré-conceito de pensar que a música brasileira se resume em sertanejo universitário e funk. Não nego, gosto de ambos os gêneros. Mas eles têm alguma profundidade? Desconfio que não. E acabo caindo naquele velho discurso de que música brasileira não presta. Porém, Brasil não é só futebol e samba. Ou seja, a música nacional não se resume apenas nesses três gêneros. Atualmente a cena do pop nacional está de vento em popa com novos nomes e hoje gostaria de destacar uma das artistas mais legais que está em atividade no momento. Hoje o Amador Crítico Musical apresenta a você DUDA BEAT.
Quando Eduarda Bittencourt Simões lançou seu primeiro álbum, foi num sentimento de “vai ou racha”. Se sentindo pressionada pela sua idade, no alto de seus 32 anos de idade, percebeu que era necessário fazer alguma coisa porque era perceptível que não tinha outro caminho. E foi com muito suor, sofrimento e paredes pintadas que ela conseguiu lançar seu primeiro álbum.

O álbum “Sinto Muito” foi lançado em 2018 e foi um sucesso em todos os sentidos, vindo nessa leva de artistas pops nacionais. E com auxílio do produtor/namorado Tomás Tróia, fez com que o primeiro trabalho de Duda fosse um compilado do melhor da Música Brasileira Nordestina compactado em 11 faixas excelentes.
O álbum passeia pelos gêneros com uma fluidez quase que imperceptível. Te pega pela mão e te convida para dançar todas as faixas agarradinho com o suprassumo da sofrência que Duda Beat pode nos oferecer. E acima de tudo, o álbum em sua totalidade é uma sofrência sem tamanho. E é nessa característica que mora a beleza do álbum. A primeira faixa, Bédi Beat se inspira forte no brega. Em Bixinho Duda bebe das fontes do Axé da Bahia e até mesmo a canção mais fora da curva do álbum, Derretendo, se encaixa muito bem na dinâmica do álbum, fortalecendo sua coesão.
Mas são as últimas canções me encantam os ouvidos. Derretendo faz parte dessa última parte, mas ela também tem Back to Bad, Ninguém Dança e Egoísta, a faixa com o instrumental mais pesado do álbum, que começa fraca e vem num crescendo maravilhoso até atingir o ápice musical do álbum. Bolo de Rolo é claramente inspirada no reggae nordestino, gênero esse que a região se apropriou como ninguém e Tróia rearranjou de uma forma única nesta peça. E o álbum se encerra com Todo Carinho, uma agradável canção que me faz lembrar um melancólico retorno pra casa com os pés descalços, depois de uma balada sem sentido.
O caminho galgado por Duda Beat até o momento foi curto, porém já foi o necessário para cravar o nome dela no atual cenário pop. Na atualidade é difícil imaginar esse cenário sem Duda Beat nele. Junto com a produção de Tomás Tróia, ela nos encantou com a sua voz e sua originalidade pra cantar as coisas mais banais do amor: do sentimento explosivo da paixão, do amor não correspondido e a liquidez amorosa desses novos tempos. Duda Beat trouxe tudo isso com uma autenticidade única, sem soar genérica, mas sim com o âmago do seu ser dentro das letras e da harmonia.
E a coesão alcançada em “Sinto Muito” é algo que eu gosto muito de sentir quando estou ouvindo alguma obra musical. O álbum te prende da primeira faixa até a última e te faz dançar em todas elas. Conseguem ser pop e ter um instrumental de profundidade. Um álbum inteiro falando sobre amor, mas que não se prende ao mero sentimento de sofrência. A cada vez que se ouve “Sinto Muito”, Duda Beat nos mostra que o álbum tem mais uma camada para você descobrir e se aprofundar.
Duda Beat anunciou que um novo álbum está por vir, porém a Pandemia atrasou um pouco as coisas. Ela deseja lançar ainda neste ano. Vamos ficar no aguardo e torcer para que isso realmente seja realizado.