Hebe – A estrela ainda brilha

Hebe – A estrela ainda brilha

Não sei se ela foi a estrela, mas certamente foi um dos maiores nomes da principal mídia do seu tempo. Hebe: A Estrela do Brasil (2019)

SINOPSE

Em mais uma (eba!) cinebiografia de grandes nomes artísticos do nosso país, dessa vez vemos um recorte da carreira de Hebe Camargo (Andrea Beltrão).

VIDA ETERNA

Eu nasci em 1990. Então, Hebe era uma das constantes da minha vida. Sempre existiu, sempre existirá. Era uma piada, “vai durar tanto quanto a Hebe”. Assim como outro personagem desse filme, a Dercy Gonçalves (Stella Miranda). Eu nunca fui um grande espectador do seu programa, mas ainda assim, a morte dela foi um choque. Como assim? Sempre existiu, sempre existirá… certo?

Biografias te dão, justamente, a de voltar e rever essas figuras que foram tão marcantes, mas como simples figuras. Quem era aquela pessoa, quem estava por trás daquilo?

TEMPO

E com essa, vem justamente a minha maior crítica ao filme: apesar de ter uma longa duração (112 min), ele aborda um trecho pequeno da vida da artista. Hebe não tem marcadores temporais. Mas começa nos eventos que levam à saída da Rede Bandeirantes, em 1986, e vai até quando é processada pelo presidente da Câmara dos Deputados, em 1994. Claro, por ter escolhido um recorte não muito grande, tudo o que é mostrado tem bastante intensidade. Mas tanta coisa ainda poderia ser mostrada. Sua infância pobre. Seu começo na música. Os grupos que teve na juventude. O fim do contrato no SBT, e a ida para a Rede TV!. O câncer. O primeiro casamento. 

FORÇA

Como já disse, tudo o que é mostrado em cena, é mostrado com intensidade. Sua relação com a produção dos seus programas, seu casamento, o amor pelo filho. A forma como tratava os empregados, e sua equipe de produção. Até suas bebedeiras e farras. Conversando depois da sessão, comentaram comigo “tem muita ‘gordura’ que poderiam tirar”. Meu contraponto foi “mais do que uma narrativa, esse filme é uma biografia. Ele tá tentando mostrar pra gente uma personagem, e fazer com que a gente entenda como ela pensa. Então essas cenas são importantes”. E são mesmo. Por exemplo, uma sequência (mini spoiler) mostra ela cantando, dançando e bebendo com as amigas, ao som de um pianista. Logo em seguida elas se sentam, e conversam sobre Hebe trabalhar na Globo, o que ela é terminantemente contra. A cena tem um objetivo claro: mostrar a posição dela para com a maior emissora de televisão do país. Mas não só: também mostra a relação dela com a música, como ela curtia as amizades, como pensava seus posicionamentos, como tratava pessoas do ambiente (funcionários ou não). Tudo é válido para que a gente entenda quem era a Gracinha.

TECNICIDADES

Dois pontos técnicos, produção e atuação. Em produção, meu destaque vai para a direção de fotografia. As escolhas de enquadramento são muito inteligentes, principalmente quando fecham em objetos. Hebe tem, talvez, a cena de sexo mais bem filmada que já vi.

O que nos leva a talvez a peça mais valiosa do filme (não mais do que as joias), os atores. Principalmente a protagonista, Andrea Beltrão. Que é um monstro da dramaturgia nacional. Você, jovem, que não reconhece isso, aprenda a louvar, de pé, esta mulher. Que show que ela dá em tela! É como se houvesse uma nova Hebe, numa lógica louca onde é possível existir duas, e uma, ao mesmo tempo. É sensacional ver a atuação dela. Todos estão bem, com destaque para o marido Lélio (Marco Ricca). Mas Andrea suga toda e qualquer atenção, não tem como. Só quero frisar mais duas coisas antes de terminar o parágrafo: Renata Bastos, que interpreta Roberta Close, é uma mulher trans na vida real. Jovem, não sabe quem é Roberta Close? Pesquise. E… vocês já viram como o Gabriel Braga Nunes é a cara do James McAvoy?

CONCLUINDO

Hebe: A Estrela do Brasil é mais uma GRANDE peça do cinema nacional, sobre uma grande pessoa da nossa história. Mais do que recomendado!

MOMENTO P.S. (Pode Spoiler):

Uma coisa que Hebe marca é como a apresentadora era atenta a causas sociais, mesmo que de forma muito superficial. Principalmente a casa homossexual e trans, das quais vem as principais homenagens do filme. Não só, como também defendia o direito da mulher e das mães. Tudo isso tá na película. Também parecia ser muito preocupada com diferenças sociais e pobreza. Olha, meu lado revolucionário tá se coçando para problematizar alguém com uma fortuna de milhões ter se preocupado com isso. Mas a gente já vive numa situação tão miserável, que saber que pelo menos um(a) olha (olhou) pra essa população já é alguma coisa.

MINI-CAST

Tá na mão!

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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