Atrasei uns 5 minutos, porque é o que acontece quando chove em Salvador, mas não me impediu de entender Um Dia Para Viver (24 Hours to Live), até porque ele se explica várias vezes.
SINOPSE
(Eu não gosto muito de dar sinopse de coisas que aparecem depois dos primeiros 10 minutos de filme. Mas vamos nessa)
Travis Conrad (Ethan Hawke) é um dos melhores assassinos de aluguel que existe, mas morre em missão. Seus contratantes o revivem para corrigir as coisas.
“O VILÃO É O HERÓI DO OUTRO LADO”
Eu não sei onde eu ouvi essa frase, mas é uma que sempre surge em minha mente quando vejo conflitos de interesse. Pouca gente é “má”, ou faz “maldades” por gosto, ao contrário do que os contos infantis nos fazem pensar. Em geral, as pessoas fazem o que acham certo para conseguir sobreviver.
Em Um Novo Dia Para Viver, nós acompanhamos o protagonista Trevis, o assassino de aluguel contratado para matar Keith Zera (Tyrone Keogh), protegido de perto por Lin Bisset (Qing Xu). Sua cabeça está a prêmio pois planeja fazer uma denúncia sobre maus-tratos e quebra de direitos humanos. Ou seja, Trevis é o capanga do vilão. Por outro lado, vemos sua relação com seu sogro, e com seus falecidos filho e esposa, fora a empatia que sente por pessoas que também tem filhos pequenos e demonstram seu amor. Vemos como ele se desdobrava para trabalhar e sustentar a família, sendo que o desejo deles era ter o pai mais presente em casa.

Ou seja, vemos o lado humano desse cara. Que fez coisas horríveis por um fim nobre.
Se ele merece perdão por isso ou não, para mim (e para ele, eu acho) tanto faz. Ele fez o que fez pelos motivos que ele tinha. Mas é interessante ver uma pessoa, não uma máquina bruta e vazia atrás do gatilho.
O QUE MAIS É NOVO?
Fora isso…. não muita coisa. Inclusive, nem isso é exatamente novo, obras que tentem mostrar o lado humano de personalidades controversas existem aos montes. Talvez a maior novidade do filme seja mostrar as favelas da África do Sul, ao contrário de só usar a parte higienizada (branca) da Cidade do Cabo. Ao mostrar Hong Kong, também mostra uma parte mais humilde da cidade, ao invés de eventos elitizados. É bacana.
Mas também não é nada de NOVO. Até mesmo o contador de vida no braço do protagonista é o conceito de bomba-relógio requentado.
POR OUTRO LADO…
Talvez o maior mérito do filme seja justamente isso. Ele é mais um filme de ação do começo ao fim, e isso é bem legal, na verdade. Quem não gosta de ver um filminho desse de vez em quando, cheio de tiros e explosões, tudo bem ensaiadinho? É muito legal!
Eu não consegui deixar de pensar no meu sogro ao assistir. Ele basicamente “zerou” todos os filmes de ação da Netflix. Se um dia quiser falar de artes marciais, vai conversar com ele (não só pelos filmes. Ele é mestre de capoeira). Tenho certeza que ele vai amar esse aqui.

NO MAIS
Um Dia Para Viver é um excelente filme de ação se você é fã do gênero, cheio dos clichês que o torna divertido. Se você não gosta do estilo, ou está começando a enjoar dele, esse filme não é para você.
E se você é jovem, tem dinheiro, e está querendo usar o filme como desculpa para dar uns beijos, esse filme é excelente. Tem várias sequências que você pode deixar passar. Mas respeita as pessoas do lado. E não façam barulho. Educação, fazendo o favor.
E é isso! Abraços!

Pequeno spoiler no final:
O cliffhanger final é horrível. E a redenção do protagonista não me convenceu.

