Vampiros já foram explorados a exaustão no cinema e na televisão. Certamente não podemos afirmar que “filmes de vampiro” constituem um “gênero” (mas vou chamar assim pra facilitar o entendimento), mas é um tipo bem específico de mitologia e imaginário, assim existe um cânone na representação dessas criaturas encantadoras. Então sabemos o que é um vampiro e, até certo ponto, o que esperar desse tipo de obra, seja ela literária ou audiovisual. Especificamente no cinema existem algumas obras que definem a figura mítica do vampiro. Drácula de Bram Stoker (1992), Entrevista com o Vampiro (1994), Nosferatu (1922), dentre alguns outros clássicos. Particularmente, meus filmes favoritos a respeito desse tema, são Amantes Eternos (2013) e O Que Fazemos nas Sombras (2014). E é por causa desse último que estamos aqui.
O Filme de 2014

Escrito e dirigido por Taika Waititi e Jemaine Clement, O Que Fazemos nas Sombras, é um filme de comédia, em formato documentário, que adentra a intimidade de um grupo de vampiros centenários que hoje vivem na Nova Zelândia. O que nos diverte é acompanhar os dilemas triviais dessas criaturas tão clássicas da nossa cultura pop. É uma desconstrução imagética da figura do vampiro, uma sátira que brinca de maneira muito criativa com todos os elementos icônicos da mitologia vampírica. Esse filme foi muito bem sucedido em seu lançamento, público e crítica deram as mãos e juntos saudaram o nascimento de mais um clássico do “gênero”. (talvez tenha exagerado aqui, é que sou muito fã desse filme mesmo )
Sinopse da Série
Quatro vampiros, que viveram juntos por mais de um século, são lembrados de seu propósito de estar na Terra quando seu antigo mestre lhes faz uma visita em Nova Iorque.
Série 2019

O filme de 2014 foi tão bem sucedido, que Clement decidiu fazer uma série baseada no longa. Assim, em 2019, ganhou vida pelo canal FX a série homônima com 10 episódios de 20 minutos. A série What We Do In The Shadows segue a mesma premissa do filme, um documentário que acompanha as banalidades e trapalhadas do dia a dia um grupo de vampiros. A linguagem é exatamente a mesma do filme, o jeito de filmar, as piadas, a interação dos personagens, tudo muito parecido. A grande diferença é que aqui as coisas tem uma escala maior, o cenário agora é Nova Iorque, e muito mais coisas acontecem, o que é de se esperar dado o formato serial. A série expande o universo do filme, em alguns aspectos vai além. vale ressaltar que a história e personagens contada nas duas produções são distintas. Ainda considero o filme uma obra melhor, é mais coeso, mais íntimo, as piadas são mais orgânicas e naturais, e é a primeira vez que vemos esse tipo de abordagem com vampiros, o filme tem frescor, gosto de novidade. Já a série, por ser praticamente um spin-off, dá a sensação de ser apenas repetição de algo que já vimos, e de fato é, e é bom, mas não tão bom quanto a obra original. A série também é dirigida por Taika e Clement, além de contar com alguns episódios dirigidos por Jackie van Beek e Jason Woliner. Mesmo sendo uma comédia, elementos de horror ainda estão presentes aqui, da forma mais engraçada possivel, mas ainda assim presentes.
Você provavelmente vai gostar dessa série
Se você curte os elementos que compõe o arquétipo do vampiro clássico, essa série não vai te decepcionar. Por mais que ela tire sarro de todos esses elementos, é muito respeitosa com eles. Aqui os vampiros queimam no sol, se transformam em morcegos, bebem sangue (é o mínimo né?), hipnotizam pessoas, dormem em caixões, tem aversão a crucifixo, e tudo de mais canônico que você possa imaginar que o cinema e literatura já construíram sobre essas criaturas.

Outro ponto forte da série são os atores, o quinteto de protagonistas é ótimo, são todos muito carismáticos e engraçados. Destaque aqui para Harvey Guillen, que interpreta Guillermo, único humano do grupo, tem o sonho de ser transformado em vampiro por seu senhor Nandor (Kayvan Novak). E Mark Proksch, que faz o vampiro psíquico Colin Robins. O humor dessa série é totalmente britânico, situacional, a sutileza e naturalidade da atuação desses dois atores é incrível, eles te fazem gargalhar com um simples olhar.

Se vale a pena?
Certamente que sim. Principalmente se você curte histórias de vampiro, se é fã desse tipo de criaturas. Tem tudo de mais clássico aqui, os atores são ótimos, os efeitos que são meio trash dão um charme bem especial. Se você já viu, e gostou do filme, muito provável que vá gostar da série também. Se não viu o filme, melhor ainda. O que talvez possa incomodar algumas pessoas, e alegrar outras, é o humor tipicamente britânico, bem The Oficce mesmo. Eu gostei. Acho que a série faz um trabalho bom em expandir os horizontes do filme. E além disso são só 10 episódios de 20 minutinhos, vale dar a chance.
PS: A série não está disponível em nenhum serviço de streaming até o momento dessa publicação, você terá de se valer de meios alternativos para assisti-la.