O primeiro dos filmes que vimos cabine hoje, foi Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral (2019). Como eu gosto dessa série!

SINOPSE
Com a chegada das televisões, ninguém mais vai ao cinema na pequena Pacatuba. Sem escolha além de fechar o negócio iniciado no filme anterior, Francisgleydisson (Edmilson Filho) tem mais uma de suas ideias loucas: Fazer um filme de ficção científica.

CEARÊS
Quem viu o primeiro¹ sabe que, mais do que a narrativa apresentada, Cine Holliúdy é uma grande homenagem ao interior do nordeste, mais especificamente ao interior do ceará. Daí vem a brincadeira de usar legenda mesmo em território nacional: O filme é gravado em “cearês”, ou seja, com sotaque e gírias locais, que nem todo brasileiro conhece. Vou te falar que às vezes elas são muito necessárias.
A brincadeira continua aqui, indo além. Novas gírias, novas situações, novos conflitos, tudo com esse objetivo de pôr o Ceará nas telas do cinema.
Os atores continuam caprichados nessa missão e, mesmo os que vêm de fora (Milhem Cortaz, Samantha Schmütz, Roberto Bomtempo) passaram por um trabalho de localização que não vão quebrar sua imersão em momento algum.

CINEMA
Se o primeiro Cine Holliúdy já era uma grande homenagem ao cinema como um todo, quase que um Cinema Paradiso do Ceará; nesse temos uma homenagem aos filmes, diretamente. E como o cinema, na verdade, nasce do sonhar e do realizar. Independente se o Spielberg viu ou não alienígenas, o fato de se permitir imaginar, e concretizar essa imaginação, é a base do cinema.
E mais: o cinema tosco, que a gente tanto gosta de fazer chacota e desvalorizar, tem um papel muito grande. Porque ele é feito pelas pessoas que não tem recursos, nem grandes contatos, mas tem um sonho, uma ideia, e acreditam nisso! Muitas vezes quando vemos um filme trash, tanto não damos valor à narrativa (que é, sim, válida), como não procuramos entender a origem daquela peça. Pode chegar a extremos de virar um debate “isso é cinema?”, como que acontece com música, quadrinhos, literatura… E a resposta é “Sim. É cinema”.

HUMOR
O bom humor dessa sequência continua afiadíssimo. Uma vez ouvi um comentário, e a pessoa que o fez teve todo o cuidado de mostrar que não estava sendo ofensiva: O cearense é um povo engraçado. E é mesmo. Não da maneira estereotipada que nos acostumamos a ver em novelas e programas de auditório. Mas de fato, são pessoas muito conectadas com o riso. E tudo isso tá no filme.
Ele peca, do meu ponto de vista, na questão das piadas homofóbicas, que são recorrentes. Conversando com minha namorada (confere o mini-cast) ela discordou, mas ainda estou com essa pulga atrás da orelha (lá ele). Por outro lado (lá ele), como ele se passa numa cidade do interior, na década de 80, nem dá pra cobrar muito. Fora que, na real, em vários momentos Cine Holliúdy é muito favorável aos grupos LGBTQ+.

CONCLUINDO
Cine Holliúdy segue sendo uma ótima opção de humor dentro do cinema nacional, e merece E DEVE ser visto por todos. Principalmente os entusiastas de produção brasileira. Tem problemas? Tem sim, vários. Mas continua sendo um grande filme. Desnecessário dizer, sou grande fã.
Abraços, até a próxima!
MINICAST

[1] infelizmente não vi O Shaolin do Sertão para acrescentar comentários