Nesta sexta-feira (21/05) tem mais estreia no Petra Belas Artes. Dessa vez mais um exemplar do ótimo cinema italiano. “O que será?”, de Francesco Bruni, é um drama tocante sobre um cineasta que descobre ter uma grave doença na medula e que precisa de um doador.
Primeiramente, o filme inicia-se com o personagem Bruno Salvati (Kim Rossi Stuart) tendo sua cabeça raspada para início de quimioterapia. Embora o filme aborde um tema bem pesado, ele o faz de uma forma leve. Nesse sentido, através de um humor sutil, a tragédia de ter que lidar com a possibilidade da morte é vista sob uma óptica humana e esperançosa.

A arte imita a vida
Em primeiro lugar, a história é baseada na vivência própria do diretor ao ter passado pela experiência de batalhar contra a leucemia. Assim, não à toa, seu alter ego é também um diretor de cinema. Então, Bruno transita entre a esperança de melhorar e o desespero da possibilidade de sua morte. Nesse caso sua vida imita sua arte, pois em sua carreira cinematográfica, ele nunca sentiu que seu trabalho era valorizado. Mesmo assim, continuava em busca do sucesso.

Nesse sentido, o amor pelo cinema é em certa parte vista como este alento que motiva o personagem a batalhar por sua vida. Quando Bruno descobre que o hospital tem um cinema e a médica oferece a possibilidade de exibir um de seus filmes para os pacientes, ele sente-se como se tivesse voltado à sua vida antes da doença. Ou seja, uma tentativa de volta à normalidade.

Um drama em memórias e flashbacks
A narrativa do filme inclusive é bem fragmentada, baseando-se em memórias afetivas, representadas em flashbacks. Sempre apresentadas do ponto de vista do protagonista, o espectador consegue sentir todas as desilusões, expectativas e lembranças de Bruno e como ele é afetado por elas.
Desta forma, o diretor consegue fazer com que fiquemos atentos e ansiosos por cada nova revelação na trama. O filme constrói de forma bem eficiente as relações e tramas familiares, sem cair na pieguice ou no excesso melodramático.

Uma drama familiar
Embora o filme inicie em um drama individual, a força de seu roteiro está no drama familiar. A relação de Bruno com seu pai, seu passado e seus filhos é apresentada de forma equilibrada e eficiente. Aos poucos todos personagens vão mostrando um lado mais particular, mais oculto. A sinceridade nas relações e a compreensão sobre a quebra de expectativas de cada um é o mote desta saga familiar.
Bruno começa o filme como um pai de certa forma distante que nem sabia que seus filhos são alérgicos. Aos poucos ele passa a desenvolver um olhar mais tenro que permite que outros familiares como seu pai e sua filha lhe revelem pensamentos que ele mal suspeitava.

Renovação através das pequenas coisas
O filme mostra que além da superação, é importante a renovação. Em tempos de pandemia de COVID-19, um filme como este é importante para difundir uma mensagem sobre vislumbrar uma luz no fim do túnel. O filme é também uma história de reconciliação com o passado que comove sem ser piegas.
“O que será?” faz parte da programação do Cine Clube Italiano do Petra Belas Artes e fica em cartaz até 27/05. Por isso não percam este ótimo filme!