Nesta quinta-feira, 23, estreia nos cinemas do Brasil o documentário Onde está você, João Gilberto?
O Brasil é reconhecido por diversos méritos nas artes em geral: fotografia, cinema, artes plásticas, e principalmente a música. O povo tupiniquim contribuiu e ainda contribui – queira você concorde ou não – para a indústria da música em geral. E não foi diferente com a Bossa Nova, um estilo totalmente diferente do que qualquer pessoa já tinha ouvido no resto do mundo, e esse novo estilo veio de terras BR’s. Para alguns estudiosos e entendedores de música, decerto, o novo estilo foi devastadoramente inovador em diversos quesitos, entretanto talvez já tenha “morrido” há alguns anos em nossa própria terra, por outros ritmos musicais, como o sertanejo e o funk.
O documentário “Onde está você, João Gilberto?” mostra a trajetória de Georges Gachot em busca do icônico João Gilberto, que é nada mais, nada menos, do que um dos criadores da Bossa Nova. João Gilberto, por sua vez, vive recluso em algum lugar no Rio de Janeiro e o ponto chave do documentário é encontrá-lo para uma possível entrevista. Gachot por sua vez baseia sua busca em um livro intitulado “Ho-ba-la-lá”, do escritor alemão Marc Fisher. O livro e o documentarista francês tem o mesmo objetivo de descobrir onde está o bendito João. Ambos vão pelo mesmo caminho e frequenta os possíveis locais em que o músico poderia estar, porém sem sucesso!

O que definitivamente me perguntei durante quase duas horas de longa é: “como o gringo é tão fascinado por uma coisa nossa, e hoje em dia nós mesmos não nos importamos com isso?”. É nítido o fascínio de Gachot em nossa cultura, e como ele realmente se importa com isso. Particularmente para mim, foi estranho à ponto de cogitar algumas vezes durante o decorrer da narrativa, se ele era louco. Muito pelo contrário, ele é um aventureiro com um espírito jornalístico impressionante, já que o mesmo saiu do seu país natal para desembarcar no Brasil em busca de um homem que não aparece na mídia por anos! Porém mesmo tendo plena consciência disso, não consegui me identificar com nenhum ponto da narrativa, não consegui entender a real motivação daquilo tudo.
Mas por sempre procurar justificativas plausíveis para não gostar de uma obra fílmica, percebi em mim mesmo que a Bossa Nova infelizmente não me comove nem um pouco, mesmo eu tendo algum apreço pelo samba. E provavelmente isso pode acontecer com pessoas que não sabem da história do João, ou realmente não se importam com o estilo musical. Onde está você, João Gilberto? entra com prejuízo nos circuitos de cinema popular justamente por esse motivo, contudo para as pessoas mais “cultas” – defina aqui seu conceito para pessoa culta – vai ser um deleite entrar nesse mundo investigativo que o diretor faz o espectador imergir.
Um documentário sempre é um documentário e não espere muita coisa no quesito de enquadramentos ou luzes diferenciadas, apesar de que os documentários nacionais são um primor técnico e narrativo. Porém este faz o que precisa fazer e mostra o que tem que mostrar, mesmo assim a incógnita permanece no ar: onde diabos está João Gilberto?