Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica – Vai pá onde?

Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica – Vai pá onde?

As vezes rola um bloqueio, então os textos demoram a sair. Peço desculpas. Mas vamos louvar um pouco a incrível cultura dos RPGs de mesa, com Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica (Onward, 2020).

Poster oficial. Tem um formato de escudo retangular, com as bordas inferiores concavas, e as superiores convexas, todas arredondadas. no meio, dois raios 
 largos se juntam em formato de V, dividindo o escudo na parte superior, inferior, e no conteúdo do proprio raio. Na parte de cima, estão Barley e Ian, o primeiro confiante, com o braço cruzado sobre os ombros do segundo, que está com olhar assustado, segurando um cajado.
Entre os raios, na esquerda, um cenário de floresta, com uma caminhonete cruzando a paisagem; na direita, três personagens dentro de uma caverna, próximos a uma estátua de pedra no formato de um mago (com capa, cajado, e chapéu de abas largas).
Por fim embaixo, no centro, estão: a manticora, um unicórno, Laurel, Colt, Ian e Barley dentro da caminhonete, um par de pernas, e um dragão de estimação. na esquerda, fadas pilotando motos numa cidade, e na direita, uma taverna abandonada.

SINOPSE 

No mundo onde a magia existia, e seres sencientes, como elfos, sátiros e ogros, conviviam com unicórnios e dragões, a tecnologia vem para tornar a vida mais fácil! Mas… a magia acaba morrendo. Será que ela se foi por completo?

dentro de uma casa estilo suburbio americano, Ian está sentado no chão próximo à porte, e um dragão de estimação está apoiado nele, cuspindo fogo, e com aparência amigável. Em frente aos dois, Laurel, a mãe de Ian, está rindo, com um borrifador d'água em riste
Esses dragões…!

PATERNIDADE E SOLIDÃO

Dois Irmãos tem alguns temas principais. O primeiro, claro, é brincar com a cultura capa e espada, da fantasia medieval e tudo o mais. A brincadeira, aqui, é tentar imaginar o que aconteceria num mundo fantástico onde surgiu a tecnologia. O contrário já aconteceu diversas vezes nos anos 80 e 90, e você certamente já viu algo do tipo. 

Mas o principal tema é: e se você pudesse ter mais um dia com alguém que você perdeu? O que você faria para ter esse tempo de novo? Você atravessaria vales, subiria montanhas, entraria em cavernas? Você enfrenta seus medos? Você faria as pazes com seu irmão? 

Dois Irmãos é sobre sacrificar tudo o que puder por alguns momentos com alguém que você perdeu, é sobre realizar sonhos, é uma jornada de autodescoberta. E é tudo muito divertido. Vale a pena.

Na frente de uma escola, está estacionada Guinevere, a van de Barley. Este está ao lado dela, usando uma capa vermelha e chapéu com chifres, com a mão posada na van com orgulho

ROLE PLAY GAMES

Dois Irmãos se baseia muito na cultura dos RPGs, e da fantasia medieval, que imagino que o leitor já conheça. Se não, vamos revisar rapidinho: quem já assistiu Caverna do Dragão nas manhãs da Globo vão sacar o que a gente tá falando, é um universo fantástico, onde a magia e seres fantásticos coexistem com seres humanos. Pessoas com certas habilidades se metem em aventuras fantásticas atrás de um objetivo. Caverna do Dragão em inglês é chamado Dungeons and Dragons, jogo de interpretação de papéis (role play games, RPG) em que a animação se baseia. No jogo, se especializar numa técnica, se tornando um guerreiro, ladino, ou mago, para sair numa aventura, não é um completo absurdo. Pelo contrário, o jogador escolherá uma “raça” (como humano, elfo, anão), uma classe (guerreiro, bárbaro, mago), e se junta com amigos para viver uma aventura ditada pelo mestre.

Em Dois Irmãos, o mestre é um papel dividido por alguns personagens. Tanto o pai (in memorian) quanto Barley (Chris Pratt, Raphael Rossatto) narram e guiam a história. Ian (Tom Holland, Wirley Contaifer) é o “jogador”, um “aprendiz de mago” (ou Mago nível 1) adolescente. Nesse mundo, onde a magia já existiu, livros de jogos são quase livros de história, pois são baseados não em contos fantasiosos, mas em dados históricos. Nesse lugar incrível, faz todo sentido pegar um jogo de cartas temáticas para estudar magia. É bizarro, mas funciona. Que inveja!

visão de um jardim gramado de uma casa. Uma sereia está dentro de uma piscina de plástico, tomando um drinque num copo de plástico, e olhando o celular, enquanto usa oculos escuros.
Só no insta

OPA, PIXAR!

A Pixar é um estudo de animação diferenciado. Mesmo trazendo “desenhos animados”, tendo crianças como público alvo primário e tudo o mais, ela é reconhecida por seus filmes capazes de emocionar. Por exemplo, Toy Story, Wall-E, Up! Altas Aventuras, ou Divertida Mente. Até mesmo filmes onde a ação é o mais atraente, como Os Incríveis. Mas sempre um filme com camadas, são lúdicos e divertidos ao mesmo tempo que são maduros e inteligentes. 

Claro que isso se torna uma maldição. A cada novo filme, esperamos o novo Procurando Nemo, torcendo para que não seja o novo Carros (eu chamo isso de Conflito Toy Story 3 / Toys Story 4). Então sim, eu sei qual é a sua dúvida: em que parte desse espectro está Dois Irmãos?

Ele está no meio. No sentido em que, ele é um bom filme, bem escrito, e tem mais de uma camada sim. Pessoas que já perderam pais quando novas, tenho certeza que vão se identificar e se emocionar bastante. Porém, Dois Irmãos está, muitas vezes, mais focado nos desdobramentos da aventura, e na brincadeira de relacionar o jogo de RPG com um mundo possível, do que trazer grandes reflexões e debates. Então sim, temos aqui um bom filme, mas não está no panteão da empresa. 

Mas que eu quero aqueles livros e bonequinhos, ah eu quero.

Barley está andando na frente, seguido por Ian e a figura encapuzada. Eles estão numa planice com grama alta, ao fundo podemos ver diversas montanhas, e o ambiente está chovendo.
Por que sempre chove…?

CONCLUINDO

Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica é um filme leve e divertido, que mistura fantasia, magia, com ausência paterna, relação entre irmãos e afins. 

(Dá pra pensar que também é uma crítica a como a tecnologia mata a “magia” do mundo natural e antigo. Mas eu só tive essa epifania agora, não vou explorar agora). 

Não estamos diante de um novo clássico da Pixar, mas com certeza é um ótimo filme. Recomendadíssimo!

;;ian está segurando assustado um cajado de madeira, com uma pedra brilhante na ponta. Barley está logo atrás dele. Da pedra na ponta do cajado, está saindo um raio azul que está direcionado ao chão. Ao redor dos dois personagens, uma série de livros está voando, pois estão ambos dentro do quarto de Ian.
“FALEI PRA TU NÃO MEXER!”

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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