Sequência, e possivelmente última parte do projeto Kiwami, Yakuza Kiwami 2 chegou em 2018 nos consoles, e 2019 para PC. Nos últimos meses, tive finalmente a chance de jogar. Apesar de alguns problemas pontuais, é um dos melhores jogos da série.
Uma história de qualidade
Kiwami 2 continua a história de Kazuma Kiryu e suas estripulias em Kamurocho, onde todos os problemas dentro da Yakuza, de uma forma ou de outra, acabam lhe envolvendo. Anos após abandonar o Clã Tojo, Kiryu deve ajuda-los, devido a morte do seu mais novo presidente. Essa morte acaba envolvendo guerras com um clã rival Omi e suas brigas internas por liderança, protagonizado por Gōda Ryūji filho filho do líder do clã.
Do ponto de vista da história, não tenho muito do que reclamar. A série Yakuza geralmente mistura muito bem esse seu tom de máfia e novela, e consegue entrelaçar diversos enredos paralelos, e aqui não foi diferente. Seja pelo infinitamente carismático Gōda Ryūji, ou pela trágica história de Kaoru Sayama (que é o ponto alto de Kiwami 2), que unem com maestria parte do que é contado aqui.

Um problema que enxergo, entretanto, é o final do jogo, onde reviravoltas acontecem a cada minuto. Algumas delas são, de fato, prenunciadas. Outras surgem de uma forma gratuita, ou pelo menos, muito amontoadas próximas de si, deixando um momento que vejo como importante na reta final, maçante demais, tirando um pouco do seu impacto.
As amadas sidequests
Um ponto positivo é o retorno, pelo menos em comparação ao Kiwami 1, das sidequests. Um dos maiores problemas do 1, tanto no original, quanto no remake, e a escassez de missões opcionais, que se tornaram depois uma das marcas registradas da série. Enquanto a história principal sempre é bastante séria, envolvendo violência, politica, traição, dentre outros, a sidequests são a válvula de escape, oferecendo pequenas missões ridiculamente engraçadas e nonsense, e felizmente, Kiwami 2 continuou com essa tradição.

Ainda no ponto de vista da história, uma adição interessante foi a Majima Saga, que conta o que aconteceu com o personagem Goro Majima durante Yakuza 0, prequel de toda a série Yakuza, e Kiwami 2. Apesar de ser bastante curto, fecha muito bem um arco iniciado no 0, de forma bem tocante, dando ainda mais profundidade ao Majima.
Alguns tropeços
Já no quesito jogabilidade, tenho algumas ressalvas. Tanto Kiwami 2 quanto Yakuza 6 usam o motor de jogo (engine) Dragon Engine, com combate mais baseado em física e interação com o ambiente. Se por um lado as lutas contra inimigos comuns em ruas são mais dinâmicas e interessantes, o inverso aconteceu com lutas contra chefes.
Penso que um pouco de expressividade por parte do jogador é perdida, fazendo as lutas ficarem um pouco engessadas. Felizmente, isso é mais perceptível na primeira metade do jogo, pois alguns ataques são desbloqueados mais tarde, tornando esse tipo de luta mais única.

Outro ponto baixo é o criador de clã, um minigame onde pode-se recrutar personagens para ajudar na Construtora do Majima, misturando Tower Defense e RPG. Apesar de aparições de lutadores de luta-livre reais que conheço, a jogabilidade rasa, e que me lembrava jogos simples de celular me afastaram do modo.
Yakuza 2 é, portanto, em relação a história, um dos pontos mais altos da série, junto de 0, mesmo com seu final cheio de reviravoltas. Na jogabilidade, problemas não serão consertados, pois o próximo jogo, Yakuza 7, é por turnos, e o spin-off, Judgement, aposta numa jogabilidade bem rápida.
Espero então, que no dia em que a série volte a sua jogabilidade clássica, leve esses feedbacks.