Desde Journey, eu procuro por jogos que possam me prover uma experiência tocante,que saiba a exata duração que precisa ter pra provoca-la. Felizmente, A Short Hike não somente é o que eu queria, como também entrega uma experiência com um aspecto nostálgico surpresa. Que venham mais jogos agradáveis como os que tenho tido a sorte de jogar, pra que sirvam de recomendações maratoneiras!
Desenvolvido só um uma pessoa, o canadense Adam Gryu, A Short Hike conta a história de Claire, um pássaro antropomórfico que viaja com sua tia May (segurem suas piadas com a senhora Parker) para o parque provincial Hawk Peak (pico da águia), onde May trabalha como guarda florestal.

Claire precisa de recepção no seu celular, pois espera uma ligação importante, e só a terá no topo do pico. Inicia-se então a nossa real aventura, uma escalada tanto física quanto mental da Claire, onde iremos encontrar personagens surpreendentemente cômicos.
BREVE DESCRIÇÃO DE UMA CURTA ESCALADA
A Short Hike é bastante simples de jogar. Você pode pular, planar, e usar alguns itens, como baldes e pás. Isso pode fazer com que ele pareça um jogo simples, quiçá raso. Ainda bem que não é o caso, tanto na temática quanto na jogabilidade, mas vamos por partes.
O parque onde se passa o jogo é imenso. Apesar do jogo ser curto, durando praticamente 2 horas, ainda há muito o que se fazer aqui. Há vários colecionáveis, como conchas para trocar com uma criança na praia, ou penas douradas para poder pular múltiplas vezes, facilitando sua locomoção pelo local.
Também é difícil de encontrar um personagem que não seja carismático ou engraçado. Há um tom de leveza que permeia o jogo a todo momento, em todos os diálogos. De crianças jogando uma combinação de tênis com vôlei onde ninguém perde, se tornando um jogo coop, ou uma corredora que perdeu sua bandana da sorte no meio da floresta, e aceita a bandana suada de um corredor famoso de volta. É tudo muito fofo, e super honesto.

E tal qual Journey anos atrás, surpreende na sua reta final com uma mensagem que que pode até ser manjada, mas dada a leveza do jogo, funciona. A Short Hike demonstra a importância de confiarmos em nós mesmos e no nosso potencial, e que busquemos estar sempre próximos daqueles que gostamos, pois não sabemos que dia será o último para aproveitá-los.
COMO ESCALAR E SUAS DIFICULDADES PRA ESCALAR
No quesito da jogabilidade, como dito anteriormente, sim, pode parecer simplista, mas há um charme na simplicidade. O jogo é bastante similar a Breath of the Wild, onde a topografia é clara, e transitar por ele é maravilhoso, especialmente ao planar de um ponto alto. Mecanicamente, lembra planar como o Batman nos jogos Arkham, só que mais fofo.
Tal qual o jogo citado, você também pode escalar tudo, contanto que tenha as penas suficientes, que representam tanto sua habilidade de pular múltiplas vezes quanto sua stamina.

Se eu fosse fazer uma crítica, falaria da câmera, e acho que notei por conta de conversas que tive com amigos, e mais ainda por estar jogando num PC.
Trata-se de uma câmera isométrica, que a depender de onde o jogador se encontra, muda de ângulo. De maneira geral, ajuda, provendo “cenas” bonitas. Entretanto, na reta final, tive algumas dificuldades ao tentar pular para uma colina, pois a câmera mudava constantemente, e como de praxe em jogos que fazem isso, o controle não conseguia acompanhar essa mudança repentina.
A PAISAGEM DA ESCALADA E SEUS SONS
Outros dois fatores que adicionam muito a experiência é o visual e a trilha sonora. Dói dizer isso (por me fazer sentir velho), mas o visual de 3D pixelado do Nintendo DS já se tornou algo retrô, e é usado excelentemente aqui. Dá um tom nostálgico ao jogo que talvez não existisse sem a presença do visual, e casa perfeitamente com a temática. É importante apontar que os desenvolvedores, mesmo assim, ofereceram a opção, em qualquer plataforma (Switch ou PC), de diminuir o tamanho dos pixels.

Já a trilha sonora, que é inclusive dinâmica, traz uma variedade absurda de músicas, e não deve absolutamente nada pra outros gigantes independentes, como Celeste. Aliás, algumas das trilhas presentes aqui evocam bastante Celeste, então parabéns pro Mark Sparling, que já entra pro hall da fama indie.
CHEGANDO AO FIM DA MONTANHA
Mesmo que bem curto, onde até o fazer 100% do jogo é somente 4 horas, A Short Hike acerta em cheio no seu objetivo, entregando uma pequenina e fofa aventura de escaladas, físicas e emocionais. Eu esperava somente um joguinho fofo com graficos de DS, e não algo tão engraçado quanto personagens gritando o quão importante é respeitar a escalada.
Portanto, dizer que eu estarei muito atento pra qualquer coisa que o Adam Gryu faça seria um eufemismo do que eu realmente sinto. Por isso, se tornou facilmente um dos meus jogos favoritos. Por favor, deem uma chance para esta pequena pérola.