Saga Star Wars: O bom, o mal e o Jar Jar

Saga Star Wars: O bom, o mal e o Jar Jar

Para meu texto de estreia aqui no Maratona, nada melhor que escrever na minha zona de conforto, ou seja, sobre aquela galáxia muito distante. Toda obra de Star Wars é essencialmente boa, mas algumas estão bem longe de serem, de fato, boas. Aqui eu comentarei todos os 11 filmes canônicos, apontando os pontos positivos e os pontos negativos. Até o “pior” filme tem pontos positivos e até o “melhor” filme tem pontos negativos. Ratifico que essa lista é, essencialmente, a minha visão da Saga Star Wars e você pode discordar totalmente das minhas observações ou da ordem que eu escolhi. Pegue um copo de leite de bantha e bora lá!

TL;DR

  • Filmes medíocres: Solo; Episódio IX.
  • Filmes ok: Episódio II; Episódio I.
  • Filmes bons: Episódio III; Rogue One; VII; VI; IV.
  • Filmes excelentes: Episódio V; Episódio VIII.

11º. Solo: Uma História Star Wars

Se resumirmos Solo em uma palavra, seria “problemático”. O filme passou por problemas de produção, com troca de diretor, roteiro e regravação de 70% das filmagens. Já deixo claro que não tenho nenhum apego emocional ao personagem, então eu só queria que o filme fosse bom independentemente da trama. A ideia de ser um filme de assalto com uma pegada de faroeste seria ideal para contar uma história de um contrabandista da Orla Exterior da Galáxia. De fato, toda a parte do filme em torno do assalto ao trem é muito boa.

A química entre o Woody Harrelson (Tobias Beckett) e a Thandie Newton (Val) é excelente e mostra que bons atores conseguem entregar muito bem mesmo com um filme medíocre. Donald Glover (Lando Calrissian) sem dúvidas rouba a cena sempre que aparece em tela. Porém, o Alden Ehrenreich (Han Solo) não consegue desempenhar um bom trabalho apesar do seu carisma e seu par romântico, Emilia Clarke (Qi’ra), sofre do mesmo problema. O vilão (Paul Bettany), totalmente esquecível, parece estar na trama só para “constar” e tem um desfecho tão desprezível quanto toda a sua aparição. A ideia de mostrar um jovem Han Solo idealista e esperançoso parece deslocada e mal executada, principalmente pela atuação fraca do ator. Nem vou comentar a inclusão desnecessária do Maul (Ray Park) em uma cena completamente aleatória no filme. Assim, esse é o pior dos filmes da Saga Star Wars.

Pontos Positivos:

  • Donald Glover como Lando Calrissian
  • O assalto ao trem

Pontos Negativos:

  • Alden Ehrenreich como Han Solo
  • O jovem Han Solo
  • O mau desenvolvimento da Aurora Escarlate.

10º. Episódio IX – A Ascensão Skywalker

Esse filme divide opiniões e tudo bem você achar ele um filme bom. Contudo, o roteiro do filme parece ser um checklist de exigências de fãs feito no Reddit. O pior do roteiro, sem dúvidas é ignorar os avanços do Episódio VIII e até mesmo do Episódio VII. E sobre o Episódio VIII, fica explicito que as mudanças foram feitas para agradar aos fãs birrentos que odiaram o filme do Rian Johnson. O próprio J.J. Abrams faz críticas ao Episódio VIII que não fazem sentido com aquilo que ele mesmo fez no Episódio VII.

Houve uma tentativa de conectar os 9 filmes e o ponto de conexão escolhido foi o Palpatine (Ian McDiarmid) que, da forma como foi feita, não faz sentido com o fim do personagem no Episódio VI e não conversa com o VII e o VIII. Mostrando que foi uma inserção de última hora e, de fato, foi.

O roteiro anterior, feito pelo Colin Trevorrow, tinha menção ao Palpatine, porém mais coeso com a trama. Além de fazer uma conexão fluida com os filmes anteriores da trilogia. Uma das piores histórias do universo expandido da Saga Star Wars é um quadrinho chamado “Dark Empire” onde o Palpatine volta a vida como um clone degenerado. De todas as maravilhosas histórias do universo expandido, os roteiristas J.J. Abrams e Chris Terrio (Batman v Superman e Liga da Justiça) foram se inspirar logo nessa. Outro ponto ruim é que o Poe Dameron (Oscar Isaac) teve seu desenvolvimento no filme anterior ignorado para se tornar um “Han Solo genérico”. O total apagamento da Rose Tico (Kelly Marie Tran) foi um grande desrespeito à personagem e à atriz, ainda mais após todo o ataque de ódio massivo que a atriz recebeu.

Os Cavaleiros de Ren tiveram uma participação patética ao longo do filme, parecendo menos capazes que capangas de um episódio de Scooby-Doo. Outro problema para o filme foi a morte da amada atriz Carie Fisher (General Leia) após o lançamento do Episódio VIII. A solução encontrada para manter a personagem no filme foi controversa. Não vou considerar um ponto negativo, mas poderiam ter tido uma solução melhor no roteiro. Ainda mais que fizeram um bom trabalho com a cena de treinamento da jovem Leia com o Luke (Mark Hamill). Apesar de tudo isso, o filme é visualmente lindíssimo.

Tem um episódio do podcast Elementar onde eu analiso com mais profundidade esse filme.

Pontos Positivos:

  • Efeitos digitais e design de produção
  • O treinamento da Leia com o Luke

Pontos Negativos:

  • Roteiro como um todo, principalmente a desconexão com os filmes anteriores
  • Descaracterização do Poe Dameron
  • Cavaleiros de Ren

9º. Episódio II – Ataque dos Clones

Contrariando muita gente, para mim esse é o filme mais fraco da trilogia prequela. A trama da guerra dos clones era algo aguardado desde o primeiro filme de Star Wars, quando Ben Kenobi (Alec Guinness) comenta com o Luke de sua participação nela. O desenvolvimento da criação secreta do exército de clones em Kamino, a utilização de um mandaloriano como base genética e de treinamento militar dos clones, e o uso do recente descoberto exército para rivalizar a poderosa força armada de droides dos Separatistas foram boas escolhas. Porém, o pilar da história da trilogia como um todo, Anakin Skywalker (Hayden Christensen), é terrivelmente desenvolvido nesse filme, tanto pela direção do George Lucas quanto pela atuação do Hayden Christensen. Até mesmo a Natalie Portman (Padmé Amidala), que é uma excelente atriz, entrega uma atuação apagada.

O romance proibido e, supostamente, avassalador destes dois não convence o público e causa até “vergonha alheia” em certas cenas. Os efeitos digitais também são outro ponto baixo do filme, onde envelheceram muito mal em pouquíssimo tempo. É o primeiro filme em que o Yoda (Frank Oz) é totalmente digital. E falando nesse amado personagem, o que foi aquela terrível e embaraçosa luta entre ele e o Conde Dookan (Christopher Lee)? Quando colocamos na balança, esse filme fica abaixo do Episódio I. Felizmente, anos depois teve a fantástica série animada Clone Wars, onde pudemos ver um aproveitamento incrível dessa trama.

Pontos Positivos:

  • Exército de clones
  • Obi-Wan Kenobi

Pontos Negativos:

  • Efeitos digitais, principalmente o Yoda
  • Hayden Christensen como Anakin
  • Direção de atores

8º. Episódio I – A Ameaça Fantasma

Injustamente apontado como o pior filme da trilogia prequela, o Episódio I é um filme de introdução ao Universo Star Wars muito competente apesar dos seus problemas. Esse filme foi responsável por apresentar Star Wars para uma nova geração (eu inclusive). E como adição a um Universo já estabelecido, ele traz o desenvolvimento e apresentação de dois grandes pilares do lore de Star Wars: a República Galáctica, onde vemos a sua estrutura política, o Senado (o qual só brevemente citado no Episódio IV), a Capital da República (a cidade-planeta Coruscant); e a Ordem Jedi, onde nada sabíamos a não ser que os cavaleiros dessa ordem utilizavam a Força e empunhavam espadas laser (curiosidade: esse foi o primeiro nome dos sabres de luz).

Aqui vemos pela primeira vez a estrutura Mestre-Padwan, sendo muito bem representada por Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) e o jovem Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor). Falando nessa dupla, a sequência do duelo com o Darth Maul é uma das melhores cenas de duelo de toda a Saga Star Wars e é fantasticamente entregue com a melhor música de Star Wars depois do tema principal, Duel of Fates. Contudo, o fraco desenvolvimento do Anakin Skywalker (Jake Lloyd) desagradou muito os fãs e, muitos desses, atribuem injustamente esse problema ao ator mirim.

Outro grande problema é o desenvolvimento fraco da trama do bloqueio de Naboo, onde a urgência é inconstante ao longo do filme (sendo quase nula durante o tempo em Tatooine) e tem sua resolução mal executada com a batalha campal e ao ataque a nave de controle. Outros pontos que alguns fãs consideram negativos, mas eu discordo, são: C-3PO (Anthony Daniels) ser criado pelo Anakin; a corrida de pods; e o Jar Jar Binks (Ahmed Best). Esses dois últimos têm altíssimo apelo infantil e são coerentes com o filme. Não merecem ser pontos negativos.

Pontos Positivos:

  • Duel of Fates
  • Todo o lore de Star Wars acerca da República Galáctica e da Ordem dos Jedi
  • Ian McDiarmid como Senador Palpatine/Darth Sidious

Pontos Negativos:

  • Desenvolvimento fraco do Anakin Skywalker
  • Desenvolvimento fraco da trama do bloqueio de Naboo

7º. Episódio III – A Vingança dos Sith

Esse é um dos filmes bons apesar de estar em 7º lugar. George Lucas soube consertar os erros dos filmes anteriores e entregou um desfecho excelente a trilogia prequela e conecta perfeitamente com a trilogia clássica. Nesse filme você sente o peso do ápice dessa tragédia que assolou a galáxia. Vemos a queda da República e o surgimento do Império Galáctico, a transformação de Anakin em Darth Vader e o fim dos Jedi. Hayden Christensen está supreendentemente atuando bem, comparado ao trabalho no filme anterior, o que ajuda na imersão do espectador.

Temos quatro vilões ao longo do filme, o que pode ser um pouco demais: Conde Dookan, no início do filme; General Grievous (Matthew Wood), no meio para o final; Anakin e Darth Sidious, no final. Sendo que o Darth Sidious tem um duelo com vários membros do Conselho Jedi, de maneira patética por sinal, e em seguida com o Yoda (finalmente um duelo decente com ele). Grievous é um personagem interessante, mas poderia ter sido substituído pelo Dookan, que já estava estabelecido para o público. A luta entre Anakin e Obi-Wan é uma das melhores de toda a Saga Star Wars.

Pontos Positivos:

  • Anakin vs. Obi-Wan
  • Darth Sidius vs. Yoda
  • A trama do filme

Pontos Negativos:

  • Mais antagonistas do que precisava
  • A morte da Padmé

6º. Rogue One: Uma História Star Wars

Queridinho por muitos, Rogue One é um filme com charme da trilogia clássica, mas com agilidade dos filmes modernos. A trama sobre o roubo dos planos da Estrela da Morte trouxe a explicação de porque ela tinha um ponto fraco tão crítico. A ideia de montar um grupo improvável de aventureiros para fazer o roubo foi uma boa maneira de contar essa história. O filme pincela que a moralidade dos Rebeldes não é tão preta e branca assim, porém isso não chega ser explorado de fato. Talvez vejamos isso a fundo na futura série do Disney+ sobre o Cassian Andor (Diego Luna).

A dinâmica do Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e do Baze Malbus (Wen Jiang) funciona muito bem e mostra pela primeira vez nas telonas a relação religiosa de pessoas comuns com a Força. A batalha na órbita de Scarif entre os Rebeldes e o Império traz o peso da importância da missão e deixa o espectador aflito com a possibilidade de aquilo ser o fim para a causa rebelde, mesmo que nós saibamos que dará certo. E sentimos a perda de cada um dos integrantes do esquadrão Rogue One. O filme também traz vários easter eggs das séries animadas, como a participação do revolucionário Saw Guerrera (Forest Whitaker), a aparição da nave Ghost na batalha de Scarif, a aparição do droid Chopper e a citação da General Syndulla.

Pontos Positivos:

  • Chirrut e Baze
  • Batalha de Scarif
  • Cena do Darth Vader

Pontos Negativos:

  • “Tons de cinza” dos Rebeldes mal explorado
  • Pouco desenvolvimento dos personagens principais

5º. Episódio VII – O Despertar da Força

Eu sempre troco a posição de Rogue One e do Despertar da Força de tempos em tempos. Se eu desse notas, provavelmente esses filmes teriam iguais ou com um décimo de diferença. O motivo de eu ter posto O Despertar da Força na frente é que este filme tem um peso grande na Saga Star Wars por iniciar uma nova trilogia e ser o retorno de Star Wars para as telonas (o primeiro filme na Era Disney) enquanto que o outro é um spin-off com uma história desnecessária, embora muito boa, para a continuidade da Saga Star Wars.

Com roteiro de Lawrence Kasdan (Star Wars: O Império Contra-Ataca) e J.J. Abrams, o filme traz para uma nova geração o a estrutura de Uma Nova Esperança em uma linguagem atual. É um bom início para um novato em Star Wars ao mesmo tempo que é nostálgico para que já conhece esse Universo.

A dupla Finn (John Boyega) e Rey (Daisy Ridley) tem uma química incrível e cativa o espectador de cara. Poe Dameron é um personagem bem interessante, mas pouco explorado. O vilão Kylo Ren (Adam Driver) é denso, complexo e te faz querer saber mais sobre ele. O retorno dos personagens clássicos como Han (Harrison Ford), Leia e Luke, esse último só aparecendo brevemente no final, deu fluidez para a continuidade de uma história que tinha sido interrompida 30 anos antes. A ideia da base Starkiller recicla a mesma trama já vista mais de uma vez na trilogia clássica.

Pontos Positivos:

  • Rey e Finn
  • A volta de Han, Leia e Luke
  • Kylo Ren

Pontos Negativos:

  • Mais uma “Estrela da Morte”
  • Pouco desenvolvimento do Poe Dameron

4º. Episódio VI – O Retorno de Jedi

Como diria o Mr. Catra, o retorno é de Jedi! A conclusão da trilogia clássica. Os Rebeldes destroem a Segunda Estrela da Morte e, junto com a morte do Imperador, derrotam o Império. Um ótimo filme, mas abaixo dos seus antecessores (Epi. IV e V). Ele não tem a novidade do primeiro e não é ousado como o segundo. Luke volta para seu treinamento com mestre Yoda, salva seu melhor amigo do terrível Jabba (Larry Ward) e tem a difícil missão de trazer para a luz o seu pai, Darth Vader (James Earl Jones). Luke está mais sábio e paciente. Ele percebe o conflito em Vader e vê aí o caminho para trazer seu pai de volta e derrotar o Imperador. Luke não pensa duas vezes em jogar fora seu sabre de luz para proteger sua família.

Apesar de termos novamente uma Estrela da Morte, aqui o peso é muito maior pois eles precisam destruí-la antes que ela oblitere o planeta onde estão as últimas forças da Aliança Rebelde. Enquanto as lutas de sabre eram horrorosas em Nova Esperança, aqui vemos belíssimas coreografias. Apesar de vários fãs implicarem com os Ewoks, eles não são um ponto negativo e são queridíssimos pelo público infantil. Contudo boa parte das cenas na lua florestal de Endor, tiram o espectador do senso de urgência que o momento da trama pede.

Pontos Positivos:

  • Duelo entre Luke e Vader
  • Retorno para o treinamento com Yoda
  • Dinâmica do trio principal

Pontos Negativos:

  • Bobba Fett desperdiçado
  • Certas partes tiram o peso da urgência

3º. Episódio IV – Uma Nova Esperança

O começo de tudo! É aqui que nasce a Saga Star Wars e tudo relacionado a ela. Uma ópera espacial com naves que viajam mais rápido que a luz, raios laser, sabres de luz, alienígenas de diversas espécies, um Império opressor, um vilão icônico e tudo isso há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante. Aqui somos apresentados a esse universo junto ao jovem fazendeiro Luke que sonha em ser piloto e viajar pela galáxia. Temos o malandro e carismático contrabandista Han Solo (que atirou primeiro!). E a princesa nem um pouco indefesa Leia. Esse trio se mete em altas confusões e se envolve com um pessoal do barulho! O filme foi um sucesso estrondoso contrariando a indústria cinematográfica da época que pensava que o filme seria um fracasso.

Pontos Positivos:

  • A criação de um universo complexo e envolvente
  • Ataque a Estrela da Morte
  • A Força

Pontos Negativos:

  • Lutas mal coreografadas
  • “Apenas Stormtroopers imperiais são tão precisos assim”

2º. Episódio V – O Império Contra-Ataca

Por muito tempo esse foi o meu filme favorito e ainda briga pelo primeiro lugar. Vários fãs o colocam como o melhor da Saga Star Wars até hoje, contudo na época de seu lançamento o filme dividiu as críticas e o público. Sob a direção de Irvin Kershner, vemos um amadurecimento da franquia e um desenvolvimento belíssimo e ousado ao longo do filme. A história começa após a grande vitória dos Rebeldes no filme anterior, mas logo no início eles sofrem uma amarga derrota e o filme termina com um dos heróis capturados. Ainda assim, o filme te deixa com a esperança de que os mocinhos vão vencer no filme seguinte.

É nesse filme em que escutamos pela primeira vez a Marcha Imperial e em que temos Darth Vader como o vilão mais icônico de todos os tempos. Conhecemos mais planetas e raças alienígenas, vemos pela primeira vez o terrível Imperador e somos apresentados ao maior Mestre Jedi que já existiu.

Mestre Yoda nos ensina que tamanho não importa e que a Força é nossa aliada, e uma poderosa aliada é. A vida a cria, crescer ela faz, é a energia que nos cerca, e nos liga, luminosos seres somos nós e não essa matéria rude. Precisamos a força sentir ao redor nosso, sentir entre nós e a árvore, a pedra, em todo lugar, sim, é, mesmo entre a terra e a nave. Eu fico até desconcertado em apontar pontos negativos, mas essa é a proposta do artigo. Ressalto que em nada eles prejudicam o filme, porém poderiam engrandecer ainda mais.

Pontos Positivos:

  • Batalha de Hoth
  • Darth Vader
  • Yoda

Pontos Negativos:

  • Pouco desenvolvimento do Lando Calrissian (Billy Dee Williams).
  • Subtrama do C-3PO despedaçado.

1º. Episódio VIII – Os Últimos Jedi

Muita gente deve estar torcendo o nariz para o primeiro colocado. De fato, esse filme dividiu o público, assim como O Império Contra-Ataca. Os Últimos Jedi também é um filme ousado. Rian Johnson soube entender Star Wars como poucos [que produziram algo de Star Wars]. Ele pega tudo que foi feito no filme anterior e trabalha numa narrativa afiada que permite desenvolver o que ficou de lado em Despertar da Força. Aqui vemos um Poe Dameron com destaque suficiente para explorar e aprimorar o personagem. O habilidoso e inconsequente piloto aprende na marra que a arrogância só atrapalha, que rebeliões precisam de organização e companheirismo, pois toda vida é valiosa e a força do inimigo é muito maior. Mesmo que não fosse, de nada adianta ganhar uma batalha se ninguém sobreviver para desfrutar.

Finalmente vimos o Luke, que praticamente não apareceu no filme anterior, e Rian Johnson nos mostra o único motivo justificável para ele ter ido para um exílio. Luke nunca foi um paladino de armadura reluzente que nunca teme e nunca erra. Luke sempre foi humano. Ele sempre buscou o bem e sempre teve dúvidas sobre si mesmo, como Yoda apontou no Episódio V e no Episódio VI. Luke derrotou o Imperador não por domínio da Força ou maestria no sabre de luz, mas por bondade e empatia com Darth Vader. Como disse acima, Luke não pensou duas vezes em jogar seu sabre fora para salvar sua família. Ele falhou com seu aprendiz e sentiu medo e vergonha por isso, então julgou que seu destino era o exílio, assim como outros grandes Jedi fizeram antes dele. Novamente, Yoda ensina mais uma lição para nós:

“Transmita o que aprendeu. Força, maestria. Mas fraqueza, insensatez, fracasso também. Sim, fracasso acima de tudo. O maior professor, o fracasso é. Luke, nós somos o que eles crescem além. Esse é o verdadeiro fardo de todos os mestres.”

E ainda com toda essa humanidade, Luke foi capaz de performar o uso da Força mais poderoso de toda a Saga Star Wars e o fez sem um ato de agressão. George Lucas disse uma vez que Star Wars é cheio de rimas narrativas. E Rian Johnson fez a melhor delas com esse desenvolvimento do Luke Skywalker. J.J. Abrams não soube entender isso, por isso critiquei tanto o Episódio IX.

Voltando aos Últimos Jedi, vemos o crescimento da Rey e seu embate cada vez mais acirrado com Kylo Ren. Este sendo ainda mais explorado do que no filme anterior, vemos o retrato de um vilão icônico para os dias atuais, e a decisão de matar o Líder Supremo Snoke (Andy Serkis) combina com esse desenvolvimento. Um ponto criticado desse filme é o arco em Canto Bight, onde Finn e Rose vão atrás de uma solução para a iminente ameaça da tecnologia de rastreamento no hiperespaço. Esse arco tem várias importâncias para a trama. Primeiro, é um respiro necessário para a história que tem um ritmo acelerado por se passar em poucas horas e não chega a ser arrastado. De fato, Canto Bight tem uma cena de 5 min e outra de 7 min, num filme de 152 min.

Segundo, é que aqui temos um aprofundamento do impacto social e político da guerra (e política é um tema constante em Star Wars). Vemos como os senhores da guerra se esbanjam enquanto exploram a miséria e sofrimento na galáxia. Terceiro que vemos as crianças escravas e a visão de mundo pelos olhos delas, mesmo que momentaneamente. Mas um dos maiores motivos de muita gente não gostar do arco de Canto Bight é porque o objetivo fracassa. Mas o fracasso não é algo comum nas nossas vidas? E o fracasso não é o maior professor?

A cena final das crianças contando os feitos de Luke em Crait mostra que o tempo passou e os atos lendários desse dia chegaram a todos os cantos da galáxia. E o detalhe da criança puxando a vassoura com a Força reforça a mensagem sobre a Força que o Yoda nos ensinou, que ela se manifesta em todos nós e que, assim, usuários da Força podem vir de qualquer lugar. Não precisa vir de uma linhagem conhecida. O filme termina com os mocinhos quase derrotados, mas nos deixa com a esperança totalmente renovada para a vitória vindoura. Palmas para a Manobra Holdo que proporcionou a cena mais incrível visualmente de toda a Saga Star Wars.

Tem um episódio do podcast Elementar onde eu analiso com mais profundidade esse filme.

Pontos Positivos:

  • Luke Skywalker
  • Manobra Holdo
  • Dinâmica entre Rey e Kylo

Pontos Negativos:

  • Benicio del Toro sub utilizado
  • Não ter desenvolvido mais a Rose (que infelizmente foi apagada no IX)

Agora conta aí qual é a sua ordem dos filmes da Saga Star Wars! Qual é o pior e qual é o melhor?

Falando de algum lugar no universo - João Gabriel Bernardo Leandro

Pesquisador, nutricionista, podcaster e comunista. Conhecido também como o Tetranome, é completamente apaixonado pelos universos de Star Wars, Senhor dos Anéis e Doctor Who.

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