Imagine uma longa que começa com diálogos sem sentido, e sua primeira impressão é: “WTF!?” Mas são justamente eles que fazem você ficar de boca aberta com o decorrer desse filme simplesmente incrível! Anna: O Perigo Tem Nome (Anna, 2019) mistura tensão, ação e drama de uma maneira extremamente inteligente, criando um mistério no que diz respeito a relação de protagonismo x antagonismo. Um dia livre talvez seja o suficiente para quem nunca conheceu a liberdade, em que(m) você confiaria se o que estivesse em jogo fosse a sua?

Sinopse
Anna Poliatova (Sasha Luss) leva uma vida conturbada, em que o machismo presente nos homens com que se relaciona é predominante em seu cotidiano. Sua beleza chama atenção de um empresário ligado a uma agência de modelos, criando uma oportunidade única para Anna sair da situação em que se encontra. Sua formosura faz com que ela se destaque no ramo, contudo essa característica se torna pequena se comparada a inteligência singular e o segredo que Poliatova guarda.

Atrás de um grande filme tem um grande diretor
Se, entre as funções de um diretor de cinema, estão a orientação artística geral e selecionar atores, sem dúvidas o francês Luc Besson tem sua marca registrada no mundo cinematográfico. Exemplos claros de seu trabalho puderam ser vistos em O Quinto Elemento e Lucy. Com certeza as escolhas de Berson não decepcionaram seus fãs nesse novo filme. Pelo contrário, a seleção de Sasha Luss como protagonista, bem como Helen Mirren (que atua como Olga, membro do serviço de inteligência denominado KGB) foi impecável. Contudo, não seria justo atribuir todo o mérito para o direção e esquecer do roteiro. O engraçado é saber que Luc também foi responsável por todo o roteiro. E acredite, todos os diálogos, inclusive os que aparentam não ter sentido algum, são únicos e fundamentais para a bomba que esse filme é.

Entendendo os serviços de inteligência
O filme explora dois serviços de inteligência, sendo necessário entender quem eram e quais seus objetivos, fator que se mostra implícito no filme (por isso um parágrafo único para tratar esse assunto). Sendo sucinto, a KGB consistia numa organização da União Soviética. Era fundamentalmente um serviço secreto de inteligência exclusivo que realizou conveniências entre os anos de 1954 a 1991. No caso da CIA, foi resultado de um pacto governamental de segurança nacional do presidente Truman. O Serviço foi criado em 1947, no início da guerra fria e, até hoje é encarregada pela realização de serviços de investigação bem como o fornecimento de dados para senadores dos Estados Unidos da América. Um serviço secreto de mesma importância (e não explorado na longa) é o MI6 (Military Intelligence, Section 6), fundado em 1909, é responsável por prover informações estrangeiras para o governo britânico.

Um zoom nos personagens
Como já foi dito, o roteiro do filme é muito bom, mas isso não seria o bastante sem boas atuações. Se existe algo que deve ser exaltado nesse longa são as atuações! A personalidade fria, calculista, sagaz, neutra e demasiadamente !@#$ de Anna com certeza é destaque. Sua forma de permanecer estável em meio a circunstâncias adversas é incomparável. Olga não fica para trás, até porque se trata de uma membra influente da KGB. Extremamente (ao quadrado) fria, super observadora, em nenhum momento se mostra preocupada com as pessoas ao seu redor. Pelo contrário, sempre impõe seus interesses e metodismo a frente das situações, criando a personagem ideal para o cargo a qual desempenha. Não só Sasha e Helen se mostram boas atrizes, Cillian Murphy – mais conhecido pelo seu papel de Dr Jonathan Crane/Espantalho no filme Batman Begins – também é destaque, no qual faz o papel de Lenny Miller, membro da CIA.
Mas fala logo, assistir ou não?!
Óbviooo que indico para vocês! Passa longe de ser uma obra para “passar o tempo” ou “cumprir tabela”. Com certeza esse não é um longa qualquer, trata-se de uma história que vai além da ficção. Acreditem, existem diversos fatores que tornam esse um filme bom e peculiar, que vão dos cenários às ótimas atuações. Sem dúvida é um longa diferenciado. As frases de impacto geram reflexões no telespectador que, evidentemente mudará ou influenciará você a enxergar as produções cinematográficas de outra forma! “Seis meses de liberdade é muito para quem nunca teve um dia”…