Gears 5 – Polimento não é suficiente

Gears 5 – Polimento não é suficiente

Após o que alguns diriam ser um soft reboot da série, que ofereceu um novo ponto de partida e repetiu alguns beats de jogos anteriores, 4 foi uma aposta segura: JD, filho de Marcus Phoenix e personagem principal deste jogo, era um personagem simples. Alguns diriam até clichê. Uma história simples, mas com uma reta final interessante que tornava sua sequência algo promissor. Isso, entretanto, é o oposto do que ocorreu em Gears 5. 

Gears 5, um jogo competente

Antes de chegarmos nesse ponto, entretanto, devemos falar da jogabilidade e do visual do jogo. Como demonstrado com 4, a Coalition é competente no que faz, e continua polindo a gameplay, que no primeiro jogo da série, revolucionou o gênero de tiro em terceira pessoa. Nenhum momento lhe faz culpar o controle ou o jogo. Tudo é bastante preciso e previsível.

Kait, personagem principal,andando em cima de um lago congelado.
Que jogo bonito hein?

Algo similar pode se dizer do seu visual. Apresenta tanto no Xbox One e X um dos seus jogos mais bonitos, e no PC, um dos melhores ports, demonstrando sua maestria do motor gráfico Unreal 4. Há uma mistura fascinante de personagens um pouco estilizados, mas materiais são reproduzidos de maneira realista até nos seus mínimos detalhes. Aqui, entretanto, terminam as suas forças, e começam suas fraquezas.

Medo de inovar?

Apesar da jogabilidade competente, e como posto, extremamente polida, Gears 5 parece um jogo que parou no tempo. Um jogo não necessariamente precisa inovar, mas como alguém que jogou o primeiro da série, não sinto muita diferença. A adição do Ski após a introdução do jogo, e o uso de um drone não são o suficiente.

Não há a necessidade de extremos e imitar um Vanquish da vida, mas sinto que o gênero tem e demonstrou novas possibilidades, enquanto Gears permanece querendo seguir no que é seguro, pra não alienar os fãs mais ferrenhos. É importante denotar que nada disso seria realmente importante ou tão notável, se o jogo fosse acompanhado de uma história boa que cativasse o jogador.

JD andando com seu drone por uma casa pegando fogo.
Apesar de interessante, o drone passa desapercebido durante a campanha

Marketing das mentiras

Durante toda sua campanha de propagandas até o lançamento do jogo, fomos inundados com o aspecto de que dessa vez controlaríamos a Kait. Algo até esperado, levando em consideração o final do jogo anterior, e ela deveria escolher de que lado iria ficar: Humanos ou Locust. Ambos, entretanto, acontecem de maneira forçada e não são escolhas de maneira alguma.

Spoilers a seguir: Na primeira, uma decisão feita fora da tela numa revolta é responsável por fazer (ou pelo menos tentar) convencer o jogador, Kait e amigos a desgostar de JD, num distanciamento de 3 meses dentro do jogo, que se resolve igualmente de forma rápida e gratuita. Na segunda… é uma mentira. Não existe conflito ou dúvida de que lado Kait irá escolher. Existem problemas e situações que ocorrem devido a isso? Sim, mas nunca um questionamento interno. Desde o momento que descobre suas verdadeiras origens até o momento da “escolha” (que não é um período longo, inclusive), sua vontade é a mesma.

O personagem que lhe acompanha, Del, apesar de prover conversas interessantes nos momentos calmos do jogo, especialmente durante o uso do Ski, infelizmente não tem muito desenvolvimento próprio, e acaba por virar uma personagem para suporte emocional de Kait.

Kait e Del passando por uma porta em Gears 5
Kait e Del tem uma dinâmica legal, mas não é suficiente 🙁

Como se ambas essas situações não fossem o suficiente, o último capítulo do jogo oferece uma escolha ao jogador de quem sacrificar, JD ou Del. isso leva a uma tangente sobre escolhas em jogos: Não ofereça escolhas grandes se ambas não forem levadas em conta na sequência.  Se mesmo assim o fizer, que ela tenha peso, que não tire o jogador do contexto presente para analisar sua escolha. Eu não cogitei salvar o JD por ele, mas sim de que maneira não fazer isso afetaria o Marcus.

Expectativas baixas

Podemos contar nos dedos os jogos que respeitam escolhas dessa magnitude, devido a necessidade de novas cenas, interações, etc. Por isso, é fácil imaginar que somente uma escolha será canônica, derrotando todo o propósito de sequer adicionar uma mecânica desse tipo.

Se por um lado Gears 4 toma pouquíssimos riscos, mas se protegia por uma distância dos seus antecessores, as fraquezas da sua sequências são aparentes.  Uma história que não entrega os conflitos prometidos, ou não desenvolve vários dos seus personagens, além de não apresentar nada realmente novo em sua jogabilidade. Provavelmente jogarei o 6, mas bastante receoso, ou com expectativa bem baixa.

Falando de algum lugar no universo - Diogo Freire

Amante de games e cinema. Não venha falar mal de Drive e/ou Ryan Gosling comigo!

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