Olha, a semana tá sendo punk, e tá me deixando mega cansado. Mas ainda é recompensador, e na boa, valeu a pena ver Zumbilândia: Atire Duas Vezes (Zombieland: Double Tap – 2019).
Se bem que eu perdi uma festa de graça…
Coisas da vida.

SINOPSE
10 anos depois dos acontecimentos do Zumbilândia original, a família criada por Columbus (Jesse Eisenberg), Wichita (Emma Stone), Tallahassee (Woody Harrelson) e Little Rock (Abigail Breslin) conseguiram uma casa (grande e branca) e estão vivendo bem juntos. Mas… estagnação cansa.

ZUMBIS
Terror com zumbi é um gênero já tão explorado (bem ou mal) que, do terror, ele teve que se expandir para outros gêneros. E não sei vocês, pra mim o terror sempre dialogou super bem com a comédia. O primeiro Zumbilândia seguia muito essa linha: o que era aterrorizante para os personagens fazia com que nós, espectadores, ríssemos muito. E seria muito difícil esperar uma continuação que não seguisse nessa linha.
Não houve decepção, aqui: Atire Duas Vezes é uma continuação perfeita daquele filme de humor ácido e escrachado, com várias intervenções visuais, e muito bonito graficamente.

DUAS VEZES
Então, seguindo uma progressão linear a partir do filme anterior, Atire Duas Vezes nos relembra, de cara, qual o ambiente e quem são os personagens. E a partir daí, tudo o que nos fez gostar de zumbilândia também volta: A violência gráfica bem explícita contra zumbis, as intervenções gráficas, e o humor abrasivo.
O cenário, como um todo, é violento, com suas planícies descuidadas e construções em ruínas. Somos apresentados a novos desafios que surgiram nesses últimos 10 anos, também (vocês lembram que o primeiro é de 2009? Little Rock já é de maior!), que deixam o dia a dia dos personagens nada monótono.
As intervenções gráficas continuam geniais, nos lembrando principalmente quais são as regras de sobrevivência na zumbilândia. Elas sofrem uma expansão, com novos personagens que podem mostrar novos textos, além de algumas citações e referências externas que também surgem. Ah, uma coisa bacana: mesmo nas versões legendadas, os textos aparecem em tela em português. Facilita bastante a vida.

HUMOR
Isso merece um bloco a parte. O primeiro zumbilândia não ficou famoso só por trazer zumbis de volta, mas sim por ter um humor ácido e agressivo, que atira pra todo lado (sacou, sacou?). Em Atire Duas Vezes, isso não só se mantém como se potencializa. Surgem novos personagens, que permitem um humor com estereótipos muito forte. Isso seria questionável em outros contextos (na verdade ainda é), mas encaixa bem aqui. Como tem 10 anos de diferença entre os filmes, eles podem fazer piadas com coisas do mundo real que não existiam na época do original, por exemplo, e é sempre muito bom. Na verdade, referências ao antecessor, à cultura pop, aos próprios personagens e ao mundo real abundam. Sem contar a maravilhosa cena que acontece logo que os créditos começam – não saiam da sala antes!

PROBLEMAS
É um pouco difícil apontar problemas para esse tipo de filme, porque muitos podem ser apontados como “estilo”. Vou tentar citar alguns: representatividade ainda não é o forte, mesmo com a adição da maravilhosa Rosario Dawson; várias piadas só funcionam bem por estarem no contexto de zumbilândia, qualquer outro lugar, seriam problemáticas; o humor com personagens estereotipados (a la Zorra Total) é sabido por reforçar preconceitos – de novo, acabam funcionando pelo filme, mas seriam problemáticos noutros lugares.
Outras coisas que podem incomodar já desagradaram desde o primeiro. Só para citar: gore (sangue, vômito), piadas de baixo calão, violência gráfica, armas de fogo. Foi quase tudo no bingo do incomodo.

CONCLUINDO
Zumbilândia – Atire Duas Vezes é uma continuação perfeita do primeiro filme. Quem já gostava, pode vir tranquilo: você vai se divertir pra caramba (se pá, até mais do que no primeiro). Pega sua pipoca e vem ver uns zumbis explodindo!
MINI-CAST
Segunda falta. Foi mal, gente.
