1917 – Não para enquanto a missão não termina.

1917 – Não para enquanto a missão não termina.

Se tem uma coisa que Hollywood adora, são histórias de guerra. Principalmente, se tem Aliados do Reino Unido sendo heroicos, ou se tem gente do Eixo ou da Tríplice Aliança se ferrando (ou os Soviéticos). Mas quando vem um filme do nível de 1917, a gente fica de boas.

Poster oficial de 1917. Mostra os números 19 (acima) 17 (abaixo). No espaço interno das letras, podemos ver um cenário ao entardecer, onde vemos dois soldados correndo, câmera de baixo para cima. está escrito entre as letras "from the director of SKYFALL", e no canto inferior direito "TIME IS THE ENEMY"
Poster oficial

SINOPSE

6 de Abril de 1917, uma movimentação estranha das tropas dos Hunos (húngaros?) poderia levar os Aliados a avançar e cair numa emboscada. O General Erinmore (Colin Firth) solicita que os cabos Blake (Dean-Charles Chapman) e Schofield (George MacKay) levem uma mensagem além da Terra de Ninguém para alertar as tropas amigas. 

Em 1917, Blake, em pé abaixado, tenta puxar Schofield que está sentado no chão, atordoado. Ao fundo, um cenário rochoso e empoeirado.
C’mon, Bro

COMENTÁRIOS

O plano sequencia é um recurso que, quando utilizado, sempre chama a atenção. A possibilidade de fazer cortes numa cena, editar e montar, facilitam tanto a vida na pós produção do filme, que se tornaram natural. Não a toa, um filme que possua um plano sequencia, sempre causa surpresa. Se o filme INTEIRO usa esta técnica, aí é o êxtase. É CLARO que nenhuma obra, hoje em dia, faz planos sequencias em tempo real. Existem diversas técnicas para emular o efeito. Mas ainda assim, parabéns.

1917 não apenas faz um EXCELENTE uso do plano sequencia, como tem uma característica que (imagino) dificulta bastante sua produção: diversas cenas acontecem em céu aberto. Só consigo imaginar a dificuldade, de algo dar errado na captura de uma sequência, e uma parte imensa ter que ser regravada, talvez até no outro dia, porque o céu mudou, a luz do sol e tudo o mais. Coragem.

Em 1917, numa das trincheiras, Blake (a frente) anda em direção à câmera. Schofield o segue logo de perto
Ó o geloooo…

FOTOGRAFIA

Já seguindo prum tema correlato, fotografia, ela é incrível em 1917. O diretor de fotografia, Roger Deakins, tem produções “pequenas” como Blade Runner 2049 (ganhou o Oscar por esse), Sicario: Terra de Ninguém, 007 – Operação Skyfall, Onde os Fracos Não Têm Vez, por aí vai. A lista é imensa. Não a toa, está concorrendo de novo a Oscar esse ano. Claro que elogiar apenas a direção de fotografia é muito pouco, na verdade toda a equipe está de parabéns, mas o destaque é inevitável. Diversas cenas são incríveis, mas vou destacar a cena da corrida, próxima ao final.

Em 1917, Schofield está num rio, agachado sobre um tronco de árvore derrubado. à direita do tronco, vêem-se trapos e corpos humanos
“Quando eu disse que queria um banho, não era assim…”

ELENCO

A questão elenco, em 1917, é muito curiosa. É um elenco majoritariamente masculino (não vou questionar isso, estamos falando de uma guerra), e que conta com muita gente de altíssimo nível. Colin Firth, Mark Strong, Benedict Cumberbatch, Andrew Scott pra citar os mais destacados. Mas todos eles aparecem pouquíssimo tempo, 5 minutos se tanto. O protagonismo do filme está bem claro: a missão de Blake e Schofield.

Em 1917, de costas, Schofield olha para outro soldado inimigo, que o observa com olhar arregalado. Ambos estão num ambiente escuro, com luzes de chamas
NANIIII?

OUTROS FILMES PARECIDOS

Já dito na introdução, o ocidente adora filmes sobre as grandes guerras, então temos uns monte deles a respeito. Recentemente tivemos Dunkirk, um filme que eu particularmente adoro, e no twitter eu vi várias pessoas comparando os dois. Eu não sei a comparação cabe, mas vale a pena fazer essa análise. 

Primeiro ponto de convergência é que ambos falam sobre as grandes guerras. Mas enquanto Dunkirk é sobre a segunda, 1917 é sobre a primeira. Ambos são baseados em fatos reais, mas Dunkirk é mais fiel ao contexto histórico, com as histórias individuais são romantizadas; ao passo que 1917 é mais um compilado de histórias reais convertidas numa história só. Ambos possuem fotografia linda, mas 1917 tem o fator do plano sequência que já citamos. E a trilha sonora de ambos é bem próxima, usando muito o ritmo para ditar a pressa, mas Hans Zimmer (de Dunkirk) literalmente utiliza um relógio para ditar a pressa, enquanto Thomas Newman se vale de percussão.

Em 1917, em primeiro plano, Schofield de costas (só se pode ver sua silhueta). Ao fundo, um prédio grande, em chamas. à esquerda, uma fonte resiste ao incêndio à distância. A direita do prédio, vemos um homem com rifle em punho.
A new challenger has appeared!

1917 – BASEADO EM FATOS REAIS

Ultimo ponto para encerrar, é a ideia do filme. Sam Mendes, diretor de 1917, é neto de Alfred Mendes, um trinitário-tobagense (!) que serviu nas linhas britânicas na Primeira Guerra Mundial. Tanto pelas histórias relatadas em seu livro The Autobiography of Alfred H. Mendes 1897-1991, como pelas narrativas contadas. Como vemos nesse texto da Town & Country, a narrativa contada, e os personagens de Chapman e MacKay não existiram, nem representam exatamente o avô de Mendes, mas são diretamente baseados nele e em seus contos.

Em 1917, Schofield, rifle em punho, corre, entre ruínas de uma cidade. O ambiente está artificialmente iluminado, com luz muito forte, e sombras bem sólidas.
Corre, Bino!

CONCLUINDO

Lembra que já falei dos filmes com cara de Oscar? Pois é, esse tem cara de vencedor de Oscar.

1917 foi indicado para diversos prêmios no Oscar desse ano, e não sem razão. O filme é, de fato, tão incrível quanto as pessoas estão falando. Vale a pena passar no cinema (com qualidade de som boa, fazendo o favor) e assistir!

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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