Ganhador de diversos prêmios no Oscar do seu respectivo ano de lançamento, A Forma da Água é um entre diversos filmes que eu estava devendo assistir, mas não o fazia por enrolação ou preguiça. Felizmente, finalmente assisti esse ano e tenho algumas opiniões…
Visto como um conto de fadas pelo diretor, Guillermo del Toro, o filme conta a história de Elisa Esposito (Sally Hawkins), uma personagem surda, que trabalha com Zelda Fuller (Octavia Spencer) como faxineira em um laboratório secreto do governo, e vive uma vida sem muito eventos (mas com muita masturbação) com seu vizinho Giles, um ilustrador “dentro do armário”, que busca voltar a ter um emprego como ilustrador. Até que um dia, no laboratório, uma criatura humanoide anfíbia aparece, fascinando Elisa, que acaba por se apaixonar por ele, planejando sua escapatória dali.

Apesar de lidar com temáticas mais adultas como sexualidade, religião, dentre outros, o filme tem um ar bem leve. De fato, existe um tom de conto de fadas que permeia ele inteiro, especialmente nas cenas com Elisa. A Forma da Água é bem fofo, honestamente. Há uma simplicidade normalmente vista em obras mais infantis, mas presente aqui, e não subtrai nada das tematicas mais sérias.
Personagens bem realizados e profundos
Ambos a Elisa e Giles são personagens incríveis. Com os dois, somos demonstrados todos os seus conflitos internos e externos. Um filme feito por um diretor menor nem sequer se daria ao trabalho de demonstrar o arco de Giles. Iriamos ver as cenas pelo ponto de vista da Elisa e nos daríamos por satisfeitos, e provavelmente nem reclamaríamos. Aqui, vemos os porquês, deixando o personagem muito mais rico.

Apesar de menos falante, a criatura também é fascinante e bem realizada. Ela e Elisa juntos trazem esse ar ingênuo e leve ao filme, que inclusive tem um design muito bem feito, o que é algo de se esperar de produções do Del Toro.
É importante falar tambem a fotografia do filme, com seus tons verdes que torna a experiencia de assistir o filme algo bastante confortável.
Simples, mas problemático
A mesma opinião não pode se repetir com os personagens Richard Strickland e Robert Hoffstetler. O primeiro é um coronel do exército, é o principal antagonista do filme. Apesar do Michael Shannon atuar bem, o personagem parece uma caricatura vilanesca. Há uma crítica a religiosos ferrenhos nele, mas é muito raso. Sua família também não tem muito valor narrativo, especialmente sua mulher, que aparece numa cena de sexo que só reforça essa impressão do personagem.

Já o personagem Robert (Michael Stuhlbarg), cientista que também procura a sobrevivência da criatura, tem algo semelhante a um arco no filme, mas é o culpado por uma das cenas mais gratuitas deste, que só serve para empurrar o conflito para a frente, tomando uma decisão e falando algo que não faz um mínimo de sentido.
Por fim, e felizmente, o filme termina tão bem quanto começou, com um dos poucos finais ambíguos que guardarei pra sempre. Singelo, e completamente em linha com o que veio antes. Apesar de alguns tropeços, se você não acha que Guillermo Del Toro é um dos diretores mais talentosos atualmente, eu não sei o que lhe dizer.