Indicações LGBTQIA+ com final feliz!

Indicações LGBTQIA+ com final feliz!

Para fechar o mês de Orgulho LGBTQIA+, decidi fazer do meu último texto um misto! Uma lista de indicações de obras com finais felizes, e alguns links importantes e informativos sobre as letras da sigla LGBTQIA+ . 

L – Lésbicas

O L, é de Lésbicas, as mulheres que amam exclusivamente outras mulheres. 

Para iniciar a lista do jeito certo, quero indicar o filme Sul Coreano  “The Handmaiden” (ou no nacional A Criada.) O filme do ano de 2016, conta uma história de amor e resistência vivida por duas mulheres durante a ocupação Japonesa na Coréia em 1930. De fotografia estonteante, enredo surpreendente e vivo, A Criada foi uma grata surpresa para mim, que já havia assistido outros filmes coreanos que possuíam finais não felizes ou bizarros (sim, No Regrets eu to olhando para você!). No entanto, além do final, a astúcia e beleza da obra surpreendem do começo ao fim e preenchem aquele nosso vazio por suspense nos filmes LGBTQIA+.

Sook-Hee, criada de Lady Hideko, lhe corta as unhas, no filme A Criada.
Lady Hideko e Sook-Hee

Indicação bônus: Saving Face, (ou em português Livrando a Cara) uma comédia romântica que conta a história de uma comunidade Chinesa nos Estados Unidos. Da mesma diretora de The Half of It, Saving Face é tão doce e intimista quanto. Com uma série de clichês bem aplicados, ainda que recaindo em estereótipos não tão felizes, Saving Face é um ótimo filme para você assistir na sua tarde de domingo acompanhado do seu chameguinho. Michelle Krusiec e Lynn Chen são as namoradas que todo mundo queria ter.

G – Gays

Gays, provavelmente a letra mais conhecida da sigla trata dos homens que amam exclusivamente outros homens. 

Shelter, ou no nacional “De repente Califórnia”, é um filme americano de 2007 que conta a história de Zach, jovem que se subdivide entre um emprego que não gosta, uma situação familiar complicada (que lhe coloca a cargo de criar sua sobrinha), e um namoro longo em ruínas. Em meio a tudo isso Zach esbarra em Shaun, irmão mais velho do seu melhor amigo, e em meio a longas caminhadas na praia, luaus, cerveja e surf, eles se apaixonam. Apesar de antigo – o filme é de 2007, Shelter é um dos filmes com temática gay mais doces e bem realizados que eu já assisti. A química entre os atores é incrível, que dá o tom certo para o amor californiano de verão. 

Zack e Shaun se entreolham, deitados na cama, durante a manhã no filme Shelter.
Zack e Shaun.

Indicação bônus: Otouto no otto, ou o Marido Do Meu Irmão, conta a história de Yaichi, um homem japonês de meia idade que recebe a visita do marido do seu irmão gêmeo, Mike, que acabara de morrer. A  história, originalmente um mangá, que foi adaptado para uma série de 3 episódios, se dedica a contar como um homem homofóbico aprendeu não só a aceitar e respeitar seu falecido irmão Riuji, como a considerar Mike um familiar muito próximo e querido por meio da convivência entre eles dois e sua filha Kana. 

B- Bisexual 

O B não é de BIXCOITO, é de Bisexual, ou seja, pessoas que amam outras pessoas independente de  seu gênero, ou na minha definição pessoal: A habilidade de ficar feliz não importa o que tenha dentro das calças da pessoa que dorme com você. 

Queen Sugar é um seriado americano criado e dirigido por Ava Duvernay, que estreou em 2016 no OWN, o canal da Oprah Winfrey. A série conta a história de três irmãos do estado de Louisiana que após a morte do pai, precisam lidar com a fazenda produtora de cana de açúcar que é herança da família. Além de ser uma história protagonizada, dirigida e direcionada para o público negro, a série traz dentre seus protagonistas Nova Bordelon, interpretada por Rutina Wesley, que dá a vida a uma complexa mulher bisexual, ativista, inteligentíssima e linda. Sua sexualidade não é um ponto de questionamento na série, Nova é abertamente bisexual e orgulhosa de sua orientação. Seus relacionamentos, ainda que conturbados, são descritos com verdade e respeito, não importa o gênero do seu parceiro. Isso seria o bastante para a indicação, entretanto a série é muito bem escrita, com uma fotografia impecável, sempre debatendo temas importantes e com um elenco incrível. 

Nova e Chantal aproximando-se em um quase beijo.
Nova e Chantal.

Indicação Bônus: Atomic Blonde, ou Atômica, como ficou conhecido aqui no Brasil, é um filme de 2017 que conta a história de Lorraine Broughton, uma espiã do MI6, que vai a Berlim para investigar o assassinato de um um espião, seu falecido amado, e recuperar uma lista com o nome de vários agentes duplos. O filme é recheado de ação, suspense e cenas de porradaria intensa! Charlize Theron está maravilhosa no papel, espancando machos como ninguém e dominando nossos sonhos com as cenas de amor sensuais que ela protagoniza com Sofia Boutella. Apesar de não ser uma das obras mais felizes da lista, Atomic Blonde supre aquele desejo que a gente tem de ver pessoas da sigla LGBTQIA+ sendo retratadas em variadas formas de entretenimento. 

T – Transexual/Transgênero

Transexual é a pessoa que não se conforma com o gênero que lhe foi designado ao nascer. 

Boy Meets Girl é um filme americano de 2014 que continua sendo um dos meus filmes favoritos LGBTQIA+, por se tratar apenas de pessoas LGBTQIA+ vivendo e por possuir uma mulher transexual, interpretando uma personagem transexual, o que é extremamente necessário. A história é centrada em Ricky, interpretada por Michelle Hendley, que foi contactada para fazer o papel após o diretor do filme encontrar seu blog de vídeos no Youtube. Nele, Michelle descrevia seu dia a dia e processo de transição, algo que acaba sendo utilizado no enredo do filme. Ricky vive em uma pequena cidade do Arizona, é uma designer de roupas com um futuro promissor, que possui alguns percalços quando o assunto é amor. Apesar de simples, o filme exala verdade e sentimento, o que me conquistou anos atrás, e acaba sempre merecendo destaque nas minhas indicações felizes.

Ricky, Robby e Francesca e seu improvável triangulo amoroso.
Ricky, Francesca e Robby.

Indicação Bônus: Sense8, eu não poderia passar por uma lista de indicações de obras com temática LGBTQIA+ feliz e não indicar este hino de seriado. Produzido por pessoas LGBTQIA+, com um cast e direção diverso, Sense8 FAZ TUDO. Nós temos toda a bandeira coberta. Temos Personagens gays, lésbicos, bisexuais, transexuais, questionando sua sexualidade e deslizando belamente dentro do espectro. Além de contar com a maravilhosa Jamie Clayton no papel de Nomi Marks, a série também é produzida e dirigida pelas irmãs Whackowsky, que ficaram famosíssimas pela trilogia Matrix. Como fã sou muito suspeita para falar sobre a série. Não consigo apontar defeitos, apenas que infelizmente, acabou!

LGBTQIA+? E o Q, I, A, + são o que?

O Q, ou Queer é um termo guarda-chuva, ou seja, é um termo que abrange outros dentro de sí. Ele está diretamente ligado a pessoas que não se conformam dentro do binarismo, ou seja, pessoas que transitam dentro do espectro que ultrapassa a binaridade de gênero e está apoiado na Teoria Queer. Essa teoria, fundamentada por Judith Butler nos anos 90 com o livro “Problemas de Gênero” que nos ensina que tanto gênero quanto orientação sexual são constructos sociais, fluidos e performados dentro de um sistema. Deixarei mais alguns links aqui e aqui para que vocês possam expandir seus horizontes sobre o assunto.

Já o I, trata de pessoas Intersexo que naturalmente possuem características biológicas: hormônios, genitais, cromossomos, etc. que não se enquadram na norma binária. Existe muita confusão sobre o que é ser Intersexo, e obviamente, muito preconceito advindo da desinformação. Por essa razão, aqui mais alguns links para que você não reproduza preconceito por aí.

O A, é de Asexual, que são as pessoas que não necessariamente sentem atração sexual. Como já comentamos antes, sexualidade é um espectro, e a Assexualidade também é. Existem desde indivíduos que sentem repulsa completa a sexo, pessoas com líbido baixa e pouco desejo sexual, pessoas que precisam de uma conexão emocional anterior para que só então o desejo sexual aconteça, existem vários casos e vários fatores que inferem na Asexualidade. 

Por fim, mas não menos importante o + surge como outro guarda-chuva, abrigando dentro de si inúmeras outras variações de gênero e orientação sexual. Para citar algumas delas temos os arrômanticos, os pansexuais, os agêneros, entre muitos outros. Ninguém precisa saber todos os nomes dentro da sigla, mas todo mundo tem obrigação de respeitar o outro e sua orientação, seja ela sexual ou de gênero. 

Imagem sobre Revelação, um documentário que trata da experiência e retrato das pessoas transexuais na Netflix.
Revelação, documentário da Netflix.

Outras indicações e amor, sempre

Por definição, todas as obras aqui possuem histórias felizes, ou no caso de Queen Sugar, uma história em desenvolvimento que possui momentos felizes (e que eu espero que termine feliz, ou então a Ava DuVernay vai se ver comigo). Dito isto, existem outras obras que fazem parte do debate e valem a pena serem vistas. Porém, como escapam ao escopo dessa lista, não as indiquei antes. Mas vou citá-las aqui:

E é isso meus queridos, eu vou ficando por aqui, feliz por poder celebrar mais um Mês de Orgulho LGBTQIA+, ainda que com várias perdas e tristezas, relacionadas ao Coronga, a violência policial e o racismo. Foi um mês conturbado e meio caótico, mas um mês que encheu meu coração de amor, por estar cercada por um time incrível que abraçou minha causa como se fosse deles, produzindo textos maravilhosos e reflexões super importantes sobre o mês de junho. 

Como sempre, eu espero que vocês tenham gostado, estejam seguros e saudáveis. Em especial, minha despedida final é para você que nesse mês não pode expressar seu orgulho por fazer parte da sigla LGBTQIA+, você que ainda precisa esconder essa parte tão importante de quem você é, seja pela razão que for. Vão existir outros Junhos de orgulho e amor na sua vida, e você poderá celebrar. Sinta-se abraçado e acolhido, pois você faz parte da minha família. Um beijo enorme e até a próxima.

Falando de algum lugar no universo - Isabel Barbosa

Estudante de Ciências (sensuais) Sociais na UFBA. Feminista negra e capricorniana impaciente. Louca por séries, super-heróis, gatos, comida e recentemente anime.

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