Olá Maratoneiros, tudo bem com vocês? Este texto é, além de um editorial, um aviso e um convite. O aviso é dizer que começa hoje o Mês Negro no Maratona de Sofá! O Editorial é justamente explicar o que é isso. Por fim o convite, já adianto, é que vocês nos acompanhem nesse período!

Contexto
Vocês certamente já sabem, mas de qualquer forma é sempre bom começar do começo. No dia 20 de novembro comemoramos o Dia da Consciência Negra no Brasil. A data, idealizada pelo pensador Oliveira Silveira, foi pensada em contraposição ao 13 de maio, uma data “chapa branca”, que exaltava uma branca ao invés dos negros que lutaram pela abolição. Escolheu-se a data por ser o dia da morte de Zumbi, líder do quilombo de Palmares. Infelizmente não se sabe a data de seu nascimento.
É, de fato, uma homenagem muito digna de ser feita: Palmares existiu por quase um século, resistindo às investidas dos colonizadores. Pouco se sabe sobre suas lideranças, é possível que Zumbi não seja um nome próprio, mas sim, o nome do cargo do líder político / espiritual do Quilombo. Mas o Zumbi que nos referimos realmente existiu, liderando os ataques e defesas de Palmares. Com a queda do quilombo, ainda sobreviveu por mais um ano. Ao ser morto, foi decapitado e teve sua cabeça exibida ao público, para servir de “aviso” contra possíveis novas revoltas.

Mês Negro
Muitos lugares, sites etc. estendem as homenagens à data para o mês inteiro. E no Maratona vai acontecer o mesmo. A ideia do Dia da Consciência Negra é que essa data seja um catalisador para lembrar não só da morte de Zumbi, mas também de nos lembrarmos dos sofrimentos do povo negro. Mas, pra além disso, é um período para refletir sobre as maravilhas de ser negro, de valorizar as produções negras, e de revivermos a história do nosso povo. De estudarmos as estruturas racistas, mas também de entendermos as formas de resistência, todas elas: luta física, religião, festas, histórias, dança, artes em geral.

E no Maratona?
Bom, no Maratona, vai ser bem simples. Neste mês, a equipe vai trazer diversos textos tendo como assunto justamente a negritude. Mas, mais especificamente, que tema cada texto trará?
Bom, eu não sei. Eu vou esperar para ver, e quero que vocês também! Imagino que role bastante coisa sobre negros em séries e em jogos, além de debates sobre racismo, ou de representatividade positiva. Só que, na verdade, eu não sei mesmo.
Assim também, o mesmo vai valer para os podcasts: estamos preparando uma série de programas bem legais, reunindo negritude e cultura pop, do jeito que vocês já conhecem. Alguns já estão a caminho!

“Mas… sei lá, não tem nada a ver”
Como assim? Tem TUDO a ver!
No nosso podcast com a Sabrina Fernandes, comentamos como a Cultura Pop tem desdobramentos políticos. No texto do Fernando (vulgo eu), vemos como narrativas diversas podem expandir nossos horizontes e conhecimentos para que a empatia e a alteridade possam ser exercidas. Carol mostra como narrativas imperialistas podem ser nocivas para um povo. Temos um editorial feito por Bells sobre a importância de dias/meses simbólicos para movimentos sociais. Marleson acabou de publicar um texto sobre como a representatividade não só de personagens, mas de atores e profissionais, é importante – e isso se aplica aos negros também. No de Pedro, vemos como cultura pop é mais do que isso, é uma relação com a cultura de um povo. Totoro já mostrou, lá atrás, que a representatividade está chegando nas novas mídias com força, incluindo games.
Maurício já mostrou como temos visões estereotipadas de outras culturas, e vice-versa. Luciano militou sem prometer, trazendo uma banda negra só porque sim. Aysla mostra como nem toda representação é válida. Euller… traz gente preta em quase todo texto, mas fica o destaque para esse que ele debate a ostentação de negros. João trouxe um debate super político numa série de comédia. Júlio é político sempre, mas olha esse, onde ele fala que nem todo filme precisa ter uma militância expressa para ser uma boa peça de resistência? Laise fez uma reflexão importantíssima sobre como museus podem ter vários usos socialmente – e são representados de várias formas na cultura pop também. Natiel fez um debate sobre gentrificação usando um filme.
Concluindo
Direta ou indiretamente, o Maratona está sempre trazendo debates e questionamentos sociais. E olha que eu nem citei os podcasts, que alí só tem badernista. Sem contar que… bem, antes de tudo nós temos um editorial falando exatamente sobre isso, sobre como o Maratona não deixa de se posicionar sobre causas.
Novembro é o mês preto no Maratona. Não quer dizer que todos os posts serão sobre esse tema, nem que falarão de maneira explícita sobre. Mas que o site vai estar bem mais preto, ah isso vai.
Fiquem com a gente nessa jornada!

Fiquei sem palavras com esse editorial! Quando vi meu nome ali então, quase choro. Kkkkk. Faremos desse novembro algo muito especial!
[…] o Ferna escreveu nesse maravilhoso editorial, estamos no Mês Negro no Maratona de Sofá e como contribuição para este período tão especial, […]
[…] Só lembrando: Esse é o primeiro dos nossos episódios sobre temas negros, no Mês Negro do Maratona! […]
[…] Mês Negro aqui no Maratona eu não poderia de deixar de falar de uma obra negra e gay. Nesse sentido, hoje falo de Sócrates, […]
[…] primeira versão do editorial que escrevi pra esse mês, eu fiz um contexto histórico bastante longo, o que deixou meu texto […]
[…] Neste mês da consciência negra, nada mais que justo do que celebrarmos pessoas que contribuem tanto para intensificar cada vez mais a importância do protagonismo negro na formação da cultura e identidade brasileiras. Certamente, em todos os meses e dias do ano pode-se, e deve-se acontecer isso. Mas, a criação do dia específico de 20 de novembro torna extremamente importante para garantirmos o não esquecimento e o não apagamento de figuras essenciais de nossa história. Dentre tantos nomes importantes do passado, podemos citar o de Valentim da Fonseca e Silva, mais conhecido como Mestre Valentim […]